Mais da metade dos navios encomendados para operar no comércio internacional utilizam o gás natural como propulsor em seus motores. O insumo é a principal alternativa do setor ao uso de combustíveis fósseis e para atingir as metas de descarbonização. Os dados são do relatório “Roadmap do Transporte Aquaviário” da EPE. Segundo o levantamento, apenas 2% dos navios em operação não utilizam combustíveis fósseis na propulsão de seus motores. Dessa fatia, 58,5% usam o gás natural nesse papel. Essa aceitação é explicada pela oferta e infraestrutura necessária para o abastecimento do gás em comparação a outras tecnologias como amônia, hidrogênio e baterias. Dos navios em construção, a EPE identificou que 27,1% das embarcações utilizarão novas tecnologias de propulsão, sendo o gás natural o preferido. São 1.630 navios encomendados em estaleiros, dos quais 928 vão utilizar GNL (gás natural liquefeito) ou GLP (gás liquefeito de petróleo) para navegar. O GNL ainda é a escolha principal, porque é possível utilizá-lo na modalidade “dual-fuel”, junto com os combustíveis fósseis. A maior parte dessas encomendas de embarcações a GNL são de exportadores desse mesmo produto.
O GNL é visto como o principal combustível de transição não apenas para o transporte marítimo, mas para toda a cadeia energética global, como térmicas e veículos terrestres. O transporte marítimo é responsável por aproximadamente 90% do comércio mundial e responde por 3% das emissões de gases de efeito estufa. Mesmo sendo uma participação pequena, o setor está engajado na redução das emissões. Os 176 países que fazem parte da IMO (sigla em inglês para Organização Marítima Internacional), da qual o Brasil faz parte, acordaram em julho do ano passado a um plano de zerar as emissões de gases poluentes em 2050. O relatório da EPE destaca o gás natural como um combustível de transição –o insumo produz gases poluentes, mas em uma escala menor do que os combustíveis fósseis– e que o Brasil pode se inserir na cadeia de produção de biocombustíveis voltados para o setor marítimo. Nessa lógica, o gás é parte do caminho, enquanto os bicombustíveis são o final para a descarbonização. Contudo, o levantamento aponta que apesar dos bicombustíveis apresentarem uma maturidade tecnológica, ainda não há oferta do produto em escala suficiente para se consolidar como uma opção viável para a descarbonização do setor no curto ou médio prazo.
Fonte: Poder 360
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