A Petrobras poderá atuar na distribuição de GLP para o consumidor final, se esse mercado se mostrar lucrativo. A ideia é aproveitar o aumento de margem que tem sido observado nos últimos anos, “às vezes maior do que (o retorno) do pré-sal”. “O mercado (de GLP) está começando a se desorganizar de novo, por isso a Petrobras pode ir para distribuição”, disse Magda, em entrevista à agência eixos, ressaltando que a estatal está estudando separar novamente o preço do GLP industrial do preço do gás de cozinha.
A estatal era dona da Liquigás até 2020, quando vendeu essa operação para um consórcio formado pela Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás por R$ 4 bilhões. A volta da Petrobras à distribuição de GLP foi aprovada pelo conselho de administração da estatal.
A reação de analistas de mercado foi de desaprovação. “Trata-se de um segmento com margens historicamente mais apertadas, o que tende a reduzir a eficiência da alocação de capital e pressionar o rendimento anualizado do caixa livre”, afirmou, em nota, Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos. Esse movimento da estatal acontece em um momento no qual o governo tenta lançar o programa Gás para Todos, que pretende distribuir botijões de graça para famílias de baixa renda. Magda afirmou que o papel da Petrobras é disciplinar o mercado de GLP, um produto importado, e que poderia ser substituído pelo gás natural. “O GLP está se transformando em negócio altamente lucrativo e nós queremos participar. Temos de participar do mercado de GLP faturando e ajudando a discipliná-lo”, disse a executiva.
Segundo Magda, o setor do agronegócio está pensando em usar GLP para secar grãos no interior do País. “O que acho uma incongruência”, afirmou. “Sai mais caro importar o GLP do que colocar o gás natural. Temos melhorado a logística do gás natural e reduzimos o preço para as distribuidoras em quase 40%, mas ao mesmo tempo o GLP avança no preço no industrial, é uma indisciplina do mercado”, avaliou. “A Petrobras tem um papel de otimização desse mercado de gás”, acrescentou. Magda afirmou que a Petrobras quer levar gás natural para os setores químico e siderúrgico, e que, para reduzir ainda mais o preço do gás natural, só com mais gás natural. “Vamos trazer gás para a costa”, informou.
Magda afirmou que quem apostou contra a Petrobras vai perder, já que a produção tem crescido mais do que esperado, inclusive com recordes como o registrado pelo campo de Búzios no último fim de semana. Ela comemorou o aumento da produção da estatal e lembrou que ele se dá, entre outros pontos, pela conexão de poços. “Ao longo deste ano até agora conectamos mais poços do que todo ano passado. Antes levava mais de um ano para conectar um poço, hoje são sete meses. Isso aumenta nossa produção, e vamos continuar fazendo isso”, afirmou.
Fonte: Estadão.com
Related Posts
ANP retira da pauta discussão sobre fracionamento do botijão de GLP
A ANP retirou da pauta a discussão sobre mudanças nas Resoluções nº 957 e 958/2023, que tratam da liberação do enchimento fracionado de botijões de gás de cozinha e da possibilidade de que os vasilhames...
Supergasbras reduz preço do gás de cozinha em R$ 1,53 o botijão e Ultragaz em R$ 3,04
As distribuidoras de GLP reduziram o preço do produto a partir de 1º de maio, depois que a Petrobras decidiu suspender os leilões do combustível e vender o insumo a preço de lista. O movimento atinge o...

