A Scania está avançando na substituição de combustíveis fósseis por biometano e eletrificação no transporte de cargas, com foco em ampliar a rede de abastecimento e cumprir metas de redução de emissões. O CEO das operações industriais da empresa na América Latina, Christopher Podgorski, destaca que, para suportar o movimento, já existem corredores verdes operando no estado de São Paulo, ligando o interior ao porto de Santos, com postos de biometano a cada 200 quilômetros. Segundo ele, a estratégia integra diferentes tecnologias de descarbonização, escolhidas conforme a vocação e a infraestrutura de cada região, sem promover uma solução única. “Em cada local, a aplicação será distinta, podendo ser movida a biometano, biodiesel ou eletricidade, dependendo das condições locais e da disponibilidade energética”, afirmou.
A empresa, que investiu R$ 4 bilhões nos últimos anos para viabilizar caminhões e ônibus a gás e elétricos, mantém a meta global de reduzir em 20% as emissões de sua frota circulante até 2025, além de operar de forma carbono neutro em todas as unidades até 2040. Em São Bernardo do Campo (SP), a planta já substituiu o gás natural por biometano nas cabines de pintura e implantou sistemas de reúso de 70% da água. Podgorski também ressaltou a criação do Hub de Biocombustíveis e Eletrificação, que reúne 90 empresas responsáveis por 15% do PIB brasileiro. O objetivo é apoiar transportadores na redução das emissões no escopo 3, envolvendo toda a cadeia de valor e estimulando políticas públicas compatíveis com as novas tecnologias. Na visão do executivo, o avanço da bioenergia no transporte de cargas já é realidade e conta com atratividade econômica, especialmente para o Brasil, grande produtor de resíduos orgânicos e matriz elétrica renovável. A transformação de passivos ambientais em biocombustíveis, como o biometano, cria novas cadeias produtivas e gera oportunidades de negócio.
A cobertura nacional para caminhões a gás vem se ampliando com a entrada das distribuidoras de gás, tornando a operação viável em quase todo o território. Modelos como o 4×2 e a terceira geração de motores a gás de maior potência já estão em uso comercial, assim como unidades elétricas em teste para adaptação às condições brasileiras. Além do transporte de cargas, a Scania também aposta na descarbonização da mobilidade de passageiros. Ônibus elétricos e movidos a biometano começam a ser produzidos em São Bernardo do Campo, para serem incorporados em linhas intermunicipais, mas em processo ainda incipiente, mas com foco no crescimento para dividir mercado com seus grandes competidores. Podgorski concluiu reforçando que a descarbonização exige integração entre fabricantes, transportadores, clientes e formuladores de políticas. “Esse trem já partiu”, afirmou, projetando que a COP30 será oportunidade para consolidar a posição do Brasil como referência global em transporte sustentável.
Fonte: BrasilEnergia
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