O Brasil reinjetou 103 milhões de m³ por dia de gás natural nos reservatórios em julho, o que representa 54% da produção total de 191 milhões de m³/dia. As informações são da ANP. Segundo a agência, a prática de reinjeção ganhou força a partir de 2015, com a entrada em operação das grandes plataformas do pré-sal. No Brasil, aproximadamente 85% do gás natural extraído é do tipo associado, ou seja, produzido juntamente com o petróleo. Dessa forma, as operadoras precisam decidir entre comercializar o gás ou reinjetá-lo, já que sua retirada é necessária para viabilizar a produção de óleo. A reinjeção do gás tem como principal objetivo aumentar a produção de petróleo, visto que o processo eleva a pressão nos reservatórios e facilita a extração do óleo. Como a commodity tem um valor de mercado mais alto, a reinjeção tende a ser a escolha mais vantajosa economicamente para as empresas do setor.
O cenário diminui a quantidade de combustível disponível no mercado interno, o que contribui para o aumento dos preços para a indústria brasileira. Crítico da elevada taxa de reinjeção, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem questionado de forma recorrente o impacto dos custos elevados na cadeia produtiva brasileira. “O preço do gás natural no Brasil é absurdo e prejudica nossa indústria intensiva em energia […] Vamos exigir da Vale que briquetize minério de ferro aqui pagando US$ 14 por milhão de BTU [equivalente a 26,8 m³], enquanto ela tem esse mesmo gás a US$ 4 em Omã?”, disse em junho. Silveira defendeu o aumento da oferta interna pela Petrobras como caminho para reduzir os preços. “Não há justificativa para isso [a reinjeção]. É importante que a Petrobras tenha consciência da importância de ampliar a oferta de gás”, afirmou. Contudo, negou que exista intervenção na companhia e disse que, se houvesse, “não continuaria tão valorizada como está”, disse.
O governo federal lançará nesta quinta (05) o programa Gás para Todos, que substituirá o modelo do Auxílio-Gás. O Gás para Todos tem como objetivo ampliar o acesso da população ao gás natural e ao GLP (gás liquefeito de petróleo), conhecido como gás de cozinha. A iniciativa busca reduzir desigualdades regionais, melhorar a qualidade de vida das famílias brasileiras e fortalecer a segurança energética do país, segundo o governo federal.
Fonte: Poder 360
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