A Petrobras iniciou as primeiras rodadas de negociação com as distribuidoras em torno de uma solução para atenuar o reajuste no preço do gás natural programado para agosto. E o conceito de pisos e tetos, sinalizado pela estatal, agrada a Abegás.
O episódio #024 do podcast gas week é uma conversa com Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás. Ele conta que a demanda por gás no mercado brasileiro “bateu no teto”, diante do atual patamar de competitividade da molécula, e critica a falta de atenção ao gás nas políticas públicas.
Mendonça destaca que o foco, neste momento, é desatar a bomba-relógio: o aumento esperado de 25% nos preços do gás em agosto, data do próximo reajuste trimestral dos contratos com a Petrobras – que, em maio, já aumentou em 19% o preço da molécula.
As conversas com a Petrobras sobre as medidas para atenuar esse impacto têm evoluído, relata o executivo. Mendonça avalia que o mecanismo de pisos e tetos parece “bem interessante” para as distribuidoras – os detalhes da proposta ainda não foram fechados.
A estatal já sinalizou que avalia diferentes medidas. O parcelamento, já adotado em outras crises passadas, por sua vez, “não sei se seria a melhor alternativa”, avalia o diretor-executivo da Abegás.
Ele relata que a Abegás procurou não só a Petrobras, mas também os demais supridores, para negociar, mas que as conversas com os fornecedores privados não evoluíram.
“Os demais produtores estão ficando para trás, porque a gente está evoluindo com a conversa com a Petrobras. E a gente não tem uma sinalização dos demais produtores”, disse.
Ele acrescentou que, para além da pauta de curto prazo, as concessionárias estaduais defendem que será preciso estruturar novos indexadores para o gás no Brasil, para destravar demanda nova a longo prazo. É uma pauta à parte, mas que precisa caminhar, segundo Mendonça.
“A gente precisa de uma sinalização de mercado de longo prazo para que a gente possa desenvolver outras aplicações e atrair novas indústrias para ter uma reindustrialização”.
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Fonte: Eixos
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