O leilão do gás natural da União deveria deixar a Petrobras de fora de sua estrutura, para garantir a desconcentração do mercado, defende o CEO da Bolsa Brasileira de Gás Natural e Biometano (BBGN), Antônio Guimarães. A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) negocia com a Petrobras as condições de acesso do gás da União às infraestruturas de escoamento e processamento, para colocar o leilão de pé. Pelos termos negociados, a petroleira será a agente comercializadora do gás da União — arranjo autorizado pela lei 15.269/2025. Guimarães, no entanto, defende que a oferta do gás da União deveria ocorrer dentro de uma plataforma independente de comercialização – como a que a BBGN espera lançar no segundo semestre. Segundo ele, o leilão de gás da União é o “grande elemento” para dar competitividade ao mercado brasileiro a curto prazo e ajudar a desenvolver o mercado spot. “[O gás da União] não deveria ser transacionado pela Petrobras pelo mercado, deveria ser trazido pela PPSA para uma bolsa, onde você particiona esses volumes e permite aos agentes bidarem para comprar esse gás”, comenta.
Guimarães entende que leiloar esse gás da União no mercado spot é a melhor saída. “Além dele criar competitividade, ele vai vender ao melhor preço de mercado possível, o que é sempre o objetivo da União”, complementou. Guimarães também vê com bons olhos a discussão sobre a criação de um programa de desconcentração da oferta de gás (o gas release). Ele defende que, para gerar resultado esperado, o programa deve “quebrar o volume de gás em pedacinhos” para permitir que muitos agentes possam ter acesso aos volumes ofertados. O efeito do gas release, segundo o CEO da BBGN, será maior quanto mais organizado estiver o mercado em torno de um ambiente de comercialização como a bolsa.
Fonte: Eixos
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