As distribuidoras de gás canalizado Necta e Comgás, ambas sob o guarda-chuva da Compass, estão levando adiante um projeto de interligação de suas redes que permitirá conectar o enorme mercado consumidor da Grande São Paulo ao crescente parque produtor de biometano do interior paulista. Batizado de Interliga São Paulo, o projeto consiste na construção de um gasoduto de 115 quilômetros de extensão, cujas obras já estão em andamento.
A interligação permitirá, em um futuro próximo, o abastecimento do pujante mercado da Comgás pelo biometano que deverá ser produzido por um conjunto de 46 usinas sucroalcooleiras situadas na área de concessão da Necta. As usinas, as maiores entre as 135 que estão localizadas na área de influência da concessionária, teriam potencial para produzir até 6 milhões de metros cúbicos por dia, de acordo com levantamento realizado pela Necta.
A expectativa é que cerca de 3 milhões de metros cúbicos por dia possam vir a ser fornecidos para os consumidores da Comgas, afirmou o CEO da Necta, José Roberto Moreira. Ele explica que a Necta não possui mercado para absorver todo o biometano a ser produzido em sua área de atuação.
A Comgás, em contrapartida, tem uma trajetória centenária e um mercado maduro, que conta com cerca de 3 milhões de clientes que consomem atualmente 13 milhões de metros cúbicos por dia. Segundo Moreira, o biometano poderá contribuir de forma preponderante para a descarbonização de consumidores industriais no Estado.
O projeto de interligação foi submetido a aprovação na última revisão tarifária da Comgás e da Necta. A parte a ser construída, que compreende a instalação de cerca de 50 quilômetros de dutos, já está em andamento e deverá estar concluída até o final de 2026.
“Quem passa pela Via Anhanguera pode testemunhar o assentamento dos dutos no canteiro da rodovia”, diz ele. Já os 62 quilômetros a serem construídos pela Necta deverão estar concluídos em 2027.
Moreira afirmou que, das 46 usinas mapeadas, três já estão produzindo biometano, que está sendo distribuído pela Necta. São duas usinas da Cocal e uma da São Martinho que produzem cerca de 160 mil metros cúbicos por dia de biometano. Esse volume está abastecendo as redes da Necta em Presidente Prudente e em Ribeirão Preto.
Fonte: EnergiaHoje
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