A Vale avalia uma eventual participação na compra do Porto Sudeste, localizado na Baía de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), mas ainda não bateu o martelo sobre a operação, declarou o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta. Controlado pelo Grupo Trafigura e pela Mubadala Capital, o porto é um dos principais terminais de exportação de minério de ferro no Brasil. A operação deverá envolver cifras da ordem de US$ 3,5 bilhões, segundo noticiado pela imprensa. A Vale teria formado um grupo com a siderúrgica Gerdau e a Global Infrastructure Partners (GIP), gestora de fundos de investimento controlada pela Black Rock, para analisar uma oferta vinculante à Trafigura e à Mubadala. A outra oferta teria sido feita pela gestora de investimentos em private equity I Squared Capital. Concebido inicialmente como um dos projetos de Eike Batista, o Porto Sudeste movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, um crescimento de 27% frente às 21,9 milhões de toneladas movimentadas no ano anterior. O volume, porém, continua bem abaixo de sua capacidade, em torno de 50 milhões de toneladas por ano. O Porto Sudeste é um importante centro logístico para as mineradoras do país, ao conectar Minas Gerais ao litoral fluminense pela Ferrovia do Aço, sendo uma importante rota de acesso da mineração aos mercados internacionais, especialmente para o Sudeste Asiático.
Gás natural competitivo para transição energética
Além do olhar da mineradora para a logística de sua produção mineral, o fornecimento energético também é outro ponto de atenção da Vale. Pimenta alertou que o Brasil precisa de um gás natural a preços mais competitivos, principalmente para o desenvolvimento da produção de aço verde no país. O executivo apontou que, enquanto em outras regiões do mundo, como no Oriente Médio, o gás natural custa cerca de US$ 3 por MMBtu, o indicador de potência térmica do gás, no Brasil, o valor pode alcançar os US$ 14/MMBtu para a indústria. O hidrogênio verde pode ser uma alternativa para zerar as emissões de gases de efeito estufa em algum momento, mas não é o caso atualmente, aponta o CEO da Vale. A companhia acredita no potencial do gás natural para ser essa ponte para a transição energética na economia. “O gás tem uma capacidade de acelerar a industrialização de uma nação porque é um combustível despachável, 24/7. Se ele vier competitivo, consegue desenvolver uma série de cadeias. […] O HBI (Hot Briquetted Iron), por exemplo, que é uma agregação de valor, metálico, que a gente poderia produzir no Brasil, se tivéssemos gás natural barato ou hidrogênio competitivo”, completa Pimenta.
Fonte: O Tempo (MG)
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