Segundo superintendente de Comercialização de Gás Natural da PPSA, Luis Marcelo Freitas, o acordo entre Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e Petrobras, para que a petroleira assuma a função de agente comercializador no leilão anual de gás natural da União, está “bem encaminhado” e a previsão é que o pré-edital da concorrência deste ano saia na próxima semana. A ideia, segundo ele, é realizar o leilão entre o fim de outubro e início de novembro e ofertar cerca de 1 milhão a 1,1 milhão de m³/dia de gás processado firme em 2027 — a valorização dos preços internacionais do petróleo acelerou a recuperação de custos dos consórcios que operam no regime de partilha, o que aumentou o volume disponível para a União. A nova resolução do CNPE, que estrutura os leilões de gás da União, reafirmou a indústria de base como destino prioritário do gás da União, mas permite que o excedente não contratado seja vendido a preços de mercado aos demais consumidores livres, comercializadores, transportadores e distribuidoras estaduais. Freitas destaca que o gás da União não é um gás novo no mercado, mas relata que há interesse por parte das indústrias pela molécula. “Tem muita gente interessada em deixar um espaço no portfólio de supridores para esse gás da PPSA”. “Acreditamos que seremos mais um agente operando no mercado, uma nova forma de comercialização”, disse Freitas, ao participar da Gas & Energy Week, no Rio de Janeiro.
Veja alguns pontos do edital
Freitas antecipou alguns detalhes das regras do leilão. A tendência é que a precificação seja referenciada a um indexador convencional, como Brent e Henry Hub. “Mas o preço final vai depender da competitividade do leilão. Continuamos buscando maximizar resultado [para a União], mas dentro de um grupo mais restrito [de compradores]”, comentou. Freitas citou ainda que a PPSA ofertará o gás da União na saída das unidades de processamento e que a estatal não contratará, neste primeiro momento, o acesso à malha de gasodutos de transporte. A ideia, no entanto, é permitir que as indústrias se associem a comercializadores para gerir contratos de transporte, já que nem todos os consumidores livres estão habilitados como carregadores. “Vamos facultar que indústrias contratem um comercializador para fazer a gestão do transporte. Isso vai dar atratividade maior, vencendo a barreira da contratação do transporte”. Freitas também conta que a PPSA abandonou a ideia de ofertar os volumes em lotes fracionados, para pulverizar o acesso à molécula em 2027. A ideia, segundo ele, é dar mais flexibilidade às propostas. “Vamos dar a liberdade para os agentes colocarem a demanda e a gente vai fazer o empilhamento das propostas com base no preço”. Falta definir ainda se será imposto algum limite de compra por agente. Ele também comentou que a PPSA espera realizar o próximo leilão anual entre agosto e setembro de 2027. E citou que a PPSA pode, no futuro, recorrer à contratação de serviços de estocagem de gás, para gerir melhor o caráter volátil dos volumes de gás da União — algo que, neste primeiro leilão, será equacionado a partir da contratação da Petrobras como agente comercializador. A nova resolução do CNPE detalha, justamente, como se dará a relação com a Petrobras como agente comercializador (o que inclui a possibilidade de permuta de líquidos de gás da União na remuneração do compartilhamento das infraestruturas).
Fonte: Eixos
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