A Petrobras anunciou um acordo de 20 anos com a Sempra Infrastructure, subsidiária da companhia Sempra, para a compra de 800 mil toneladas de gás natural liquefeito (GNL). O suprimento será a partir do Terminal de Liquefação de Port Arthur, no Texas (EUA), que deve se tornar o maior polo de exportação de GNL do mundo na próxima década. Em nota, a estatal afirmou que o objetivo, ao contratar volumes de longo prazo, é reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot, fortalecer a gestão de riscos do portfólio de gás e ampliar a capacidade de atender aos contratos de forma mais flexível e segura. Ainda em construção, o terminal Port Arthur será capaz de exportar 26 milhões de toneladas de GNL por ano quando estiver totalmente operacional, na próxima década. A Petrobras não detalhou quando iniciará as importações.
A primeira fase do empreendimento vai entrar em operação comercial em 2027, enquanto a segunda fase começará a operar comercialmente em 2030. O Brasil se prepara para um aumento na demanda por GNL nos próximos anos, após o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) contratar 15 GW de termelétricas a gás natural em março. Os projetos contratados devem demandar 95 milhões de m³/dia de gás flexível e já começaram a movimentar investimentos em infraestrutura. Mas o anúncio da Petrobras de que planeja ampliar as importações também chega em um momento em que a ANP debate o programa de desconcentração no mercado de gás brasileiro, o gas release, que tem como alvo justamente a redução da participação da estatal nesse segmento. A Petrobras é contra o avanço das discussões. O diretor da ANP e ex-presidente do conselho da Petrobras, Pietro Mendes, afirmou que não há atropelos ou ingerência política na execução da agenda regulatória do gás pela agência. Sem citar nominalmente a Petrobras, Mendes disse que o Brasil tem, hoje, um agente dominante que regula o preço em função do GNL e que controla as infraestruturas e cobra “valores abusivos” para dar acesso a elas. Entenda o programa de desconcentração do mercado de gás natural em dez pontos.
A contratação de gás flexível está movimentando negócios no mundo todo. Na segunda (14), a petroleira malaia Petronas também fechou um acordo de longo prazo com a Metlen para o fornecimento de GNL para a Grécia.
Fonte: Eixos
Related Posts
Que empresas estão de olho no gas release que a Petrobras tenta derrubar
A decisão da ANP de adiar a audiência pública sobre o programa de desconcentração do mercado de gás (o gas release), para depois das eleições, ocorre em meio à escalada da pressão política da Petrobras, no...
O que a Petrobras quer mudar no programa de desconcentração do mercado de gás
A Petrobras sugeriu à ANP que o programa de desconcentração do mercado de gás natural (o gas release) comece a valer somente a partir de 2031. A estatal defende que a medida não é necessária no atual...

