A transição energética já chegou e, para o setor de transporte de cargas pesadas, o gás natural e o biometano são protagonistas dessa transformação. Compatíveis com a mesma infraestrutura de distribuição, os dois energéticos se complementam na redução das emissões de gases de efeito estufa. Para ampliar o debate sobre a utilização desses combustíveis, o Campo em Debate do último dia 3 de setembro trouxe para a conversa o tema “Gás natural e biometano: novas energias para a frota pesada”. O debate, conduzido pelo jornalista do Grupo RBS Rodrigo Lopes, contou com a participação do gerente executivo Comercial da Sulgás, Douglas Becker; da secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado do Rio Grande do Sul, Isa Osterkamp; do diretor de Operações da Green Cargo, Leandro Gedanken; do diretor de Tecnologia e Negócios da Sebigas Cótica, Lorenzo Pianigiani; e do head de Estratégia de Mercado da Compass, Ricardo Vallejo. O Estado já enfrenta os efeitos das mudanças climáticas. Para Douglas Becker, este é o momento para avançar em ações concretas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, outros combustíveis assumem papel estratégico e podem acelerar essa mudança. “O diesel tem uma grande participação na emissão de gases de efeito estufa, e nós temos uma oportunidade, que já é concreta e tem potencial muito amplo de expansão, quando pensamos no gás natural e no biometano, principalmente de maneira associada, como uma alternativa ao diesel”.
Segundo Becker, a participação do gás natural nas frotas pesadas tem avançado de forma consistente nos últimos anos. O combustível se consolidou no setor de transporte e logística e vem ampliando sua presença no mercado. O diretor de Operações da Green Cargo, Leandro Gedanken, também vê alto potencial para a transição dos caminhões pesados movidos a diesel para o gás natural. “Essa energia já é reconhecida. Não existe o aspecto ambiental sem o aspecto econômico e ela também já está se provando um modelo economicamente sustentável. Então, temos todos os ingredientes para catalisar e expandir cada vez mais essa aplicação”, diz o gerente executivo. Assim como Becker, o diretor de Operações da Green Cargo, Leandro Gedanken, vê alto potencial para a transição dos caminhões pesados movidos a diesel para o gás natural. “Um dos pontos que faltavam era um equipamento que pudesse substituir o diesel sem perda de desempenho, pois, para algumas operações, não é possível utilizar um caminhão com menor potência. Hoje isso já existe, e estamos trazendo essa solução para o mercado”, diz Gedanken.
Descarbonização na prática
Para o head de Estratégia de Mercado da Compass, Ricardo Vallejo, o Rio Grande do Sul é praticamente o marco zero da descarbonização, justamente pelas alternativas que vem trazendo para o setor. Além do crescimento do gás natural, o biometano tem apresentado elevado potencial. “Muitos desses pontos de crescimento estão próximos dos centros urbanos, que é o biometano vindo do tratamento de resíduos sólidos urbanos. Temos também a dispersão e a questão agrícola, que ajuda o desenvolvimento do Estado no interior, naquela região onde demoraria para chegar um gasoduto. Tendo uma produção local, você pode ter um desenvolvimento de frota pesada ali. E isso vai muito ao encontro da questão competitiva do produto”, completa Vallejo. A transição energética é um motor de transformação para o Rio Grande do Sul. Para a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado do Rio Grande do Sul Isa Osterkamp assim como o hidrogênio verde, a biomassa (matéria-prima para produção do biometano) tem um imenso potencial de produção. “Estamos desperdiçando esse resíduo e essa energia que cada vez mais pode gerar renda para o pequeno e o grande produtor. Nós já temos grandes empresas produzindo a partir de resíduos o biometano. Esse é um caminho que deve ser seguido”, completa.
Fonte: Zero Hora
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