O vice-presidente Jurídico e Relações Institucionais da siderúrgica Ternium, Pedro Henrique Teixeira, apresentou sua percepção sobre os avanços na regulação de gás no Brasil e seus efeitos sobre o preço da molécula. “É inegável que houve um avanço e que o preço caminhou na direção que todos nós queremos. Feita essa primeira observação, a gente tem que registrar uma frustração, porque o patamar de preço hoje no Brasil está muito distante das nossas ambições”, disse o executivo em painel na ROG.e. nesta terça-feira, 22 de setembro, no Rio de Janeiro. Para ele, o preço do gás é ponto fundamental para a concretização de investimentos que podem vir para o Brasil, inclusive da própria Ternium, que opera planta no Rio de Janeiro com capacidade para produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano. “Nós somos um grande consumidor de gás, mas quando a gente olha os volumes de gás que a gente consome, esse volume ainda é muito baixo em função do potencial que a gente tem”, declarou.
Condições do gás no Brasil em comparação com Estados Unidos e Argentina
No painel da ROG.e, a mediadora Sylvie d’Apote, sócia da Prysma ET Consultores, ponderou que o gás no Brasil tem condições de produção mais complexas do que o gás de regiões como Estados Unidos e Argentina. Entre tais diferenças, estão o fato de o gás no Brasil ser, em sua maioria, associado ao petróleo e com produção offshore. “A pergunta é se efetivamente faz sentido termos como comparação esses mercados onde intrinsecamente, estruturalmente a produção é muito diferente”, provocou d’Apote. Álvaro Tupiassu, gerente-executivo de Gás e Energia da Petrobras, ressaltou que a produção no Brasil de fato tem riscos e custos maiores do que produções onshore, o que se reflete no preço da molécula. “Uma plataforma de operação consome, às vezes, acima de 100 MW de potência de energia elétrica”, ilustrou Tupiassu. “É uma coisa monumental, eu diria, em termos de valor e risco, e que reflete, de certa maneira, nos custos”, concluiu. Tupiassu também mencionou outros fatores que incidem no preço ao consumidor, como custos de infraestruturas de escoamento e transporte, que podem ter tarifas menores se já tiverem sido amortizadas. Para Andres Sannazzaro, head de Comercializaçao da Repsol Sinopec, uma alternativa poderia ser algum tipo de incentivo governamental, considerando que o gás importado já significa que o governo brasileiro deixou de arrecadar impostos e taxas com uma produção que deixou se ocorrer no Brasil. “Se é para abrir mão de tudo isso, por que não abrir mão internamente para beneficiar essa produção?” disse.
Fonte: MegaWatt
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