Para o presidente executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, o gas release tem o potencial de ampliar a concorrência no mercado de gás natural e viabilizar novos investimentos em infraestrutura e volumes de oferta. Para ele, a medida só produzirá efeitos concretos se vier acompanhada de regras claras para o acesso às infraestruturas essenciais.
“A partir do momento que esses agentes tenham acesso à infraestrutura e que o preço do acesso seja regulamentado, você passa a ter um ganho de concorrência, por um incremento de número de agentes nesse mercado, e um ganho no preço competitivo, viabilizando uma nova infraestrutura e novos volumes de gás natural”, afirmou. Segundo ele, “não existe novo mercado de gás sem um novo volume de gás”.
Acesso a infraestruturas deve destravar preço final
Mendonça destacou que a discussão sobre os sistemas integrados de escoamento (SIE) e de processamento (SIP) é o ponto de partida para destravar a competitividade do gás no presente.
“O SIE e o SIP têm um tratamento imediato dentro das infraestruturas existentes, e essa é uma agenda importante para o preço final para o mercado”, disse. Ele reconheceu que o tema merece aprofundamento, mas defendeu que seja priorizado por ser a base de toda a discussão.
Sobre a elevação da oferta, o executivo afirmou que o Brasil precisa corrigir o rumo para que a produção de gás cresça e chegue ao mercado. Segundo ele, 50% da oferta hoje é reinjetada, e é preciso separar o que é reinjeção técnica do que pode ser monetizado.
“É preciso que o que não for reinjeção técnica realmente venha para o mercado”, afirmou, citando veículos pesados e data centers como frentes para ampliar a demanda.
Gás para a transição no transporte pesado
A associação também defende que o gás natural seja enquadrado como combustível de transição energética, com tratamento de incentivo, e não punitivo. Mendonça citou a inclusão do gás no Plano Clima e na taxonomia sustentável como medidas necessárias, além da substituição de frota no transporte pesado.
“A neutralidade tecnológica é importante. Hoje 50% das emissões da nossa matriz vêm do segmento de transporte, então é preciso contemplar outros combustíveis”, afirmou. Ele lembrou que a frota brasileira é antiga e altamente poluente, e que a renovação com motores a gás seria “preponderante” para essa agenda.
Por fim, Mendonça disse acreditar que as agendas de acesso e gas release na ANP podem avançar até o final do ano, apesar da pressão contrária de parte do setor.
“Toda agenda amadurece com o debate. A gente acredita que seja implementado até o fim do ano”, concluiu.
Fonte: Eixos
Related Posts
Petrobras fecha contrato de compra e venda de gás natural com PPSA
A Petrobras fechou com a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, dois contratos de compra e venda de gás natural ligados à produção de gás da União na Bacia...
Leilão de gás da PPSA terá oferta de 1,1 milhão de m³/dia para 5 setores industriais, diz ministério
O Ministério de MME publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta terça (22), uma portaria com diretrizes complementares para o primeiro leilão de gás da União no pré-sal, a ser realizado...

