A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG) firmou contratos com térmicas ganhadoras do leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap), considerando gás natural liquefeito (GNL) que chegue pelo Terminal Gás Sul (TGS). De acordo com Jorge Hijjar, presidente da TBG, as usinas do leilão somam demanda de 12 milhões de m³ por dia, considerando o despacho simultâneo de todas as térmicas em sua rede. “E é o que costuma acontecer, você despacha uma térmica quando há grande demanda”, disse Hijjar. Segundo o executivo, este volume corresponde ao usinas existentes que estavam descontratadas. O montante irá se somar aos atuais 17 milhões de m³ que a transportadora entrega para o mercado térmico atualmente. Entretanto, para atender a todos os acordos das usinas do LRCap, a transportadora precisará de reforços na rede, que demandarão cerca de US$ 300 milhões em investimentos e mais de três anos de obras. Por isso, a TBG demanda uma autorização célere da ANP para que as obras fiquem prontas até 2031, como prevê o edital do certame. “Se a ANP demorar um ano, a gente não consegue acabar para atender ao cumprimento do leilão”, disse o presidente da TBG. Segundo o executivo, os reforços consistem na transferência de estações que atualmente estão no trecho Norte da rede da TBG para a região Sul, e alguns reforços em dutos, ou seja, a construção de dutos paralelos em alguns trechos. HIjjar informou que, atualmente, o trecho Norte em questão está subutilizado, pois tem capacidade para 30 milhões de m³ mas atualmente utiliza entre 12 milhões e 15 milhões de m³. “Entrando no nosso duto, o gás chega até o Paraná, quase fronteira com São Paulo. Mas já tem térmicas em São Paulo, então esse gás precisa chegar até lá”, disse Hijjar. “Esse projeto é a transferência de duas estações de compressão, que hoje estão ociosas no trecho Norte, para o trecho Sul, para empurrar o gás para cima”, complementou.
A data de operação em julho de 2027 era uma das possibilidades que a New Fortress Energy (NFE), que construiu o terminal, tinha previsto, embora a ANP desejasse início de operação um ano antes, justamente para o atendimento às térmicas do LRCap diante da queda na importação do gás boliviano. O TGS foi construído pela NFE, atual Arxen, e inaugurado em meados de 2024. Em abril de 2026, a operação foi arrendada à J&F.
Novas térmicas conectadas à rede de gás somam 3 GW, diz ATGás
Do total de 18,9 GW em potência contratada pelo leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap) realizado em março deste ano, cerca de 15 GW são a gás natural e, deste montante, 7 GW estarão conectados à malha de transporte, sendo 4 GW em plantas já existentes e 3 GW em novas plantas. Os números foram informados pela gerente Executiva da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), Claudia Sousa, em painel na ROG.e nesta terça-feira, 22 de setembro. No painel, Sousa comentou as novas oportunidades de demanda de transporte de gás natural. A executiva também mencionou o projeto Raia, operado pela Eqiunor, com projeções de 20 milhões de m³ por dia a partir de 2029, além de Sergipe Águas Profundas (Seap), da Petrobras, que deve adicionar mais 18 milhões de m³ por dia a partir de 2031. Há, ainda, amis 6,5 milhões de m³ em demanda potencial de biometano, segundo a executiva. “Fora terminais de GNL que estão previstos até em função do LRCap e data centers e descarbonização, ou seja, o Brasil tem um cenário depotencial como não teve nas últimas décadas, de oferta e de demanda, mas tem que ter um elo que faz isso, a espinha dorsal, que é o transporte”, declarou a gerente da ATGás.
Fonte: MegaWhat
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