A regulamentação proposta pela ANP para o acesso não discriminatório de terceiros a infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural (gasodutos submarinos e UPGNs) vai além da Lei do Gás (Lei 14.134/2021), disse o gerente de Assuntos Regulatórios e Relacionamento Externo da Petrobras, Dean William Moraes Carmeis, durante a audiência pública sobre a minuta de resolução, realizada de forma virtual pela agência reguladora nesta quinta (01). Segundo a estatal, a Lei do Gás prevê que o proprietário da infraestrutura essencial possui o direito de preferência para utilização da própria instalação. Cabe à ANP disciplinar como esse direito é exercido, e não restringir ou extinguir o direito. “A atuação regulatória deve privilegiar a negociação privada e a resolução de impasses. A ANP deve atuar quando houver indício de abuso, de discriminação indevida, de descumprimento regulatório, entre outros casos, se isso efetivamente acontecer”, disse o gerente. O representante da Petrobras também criticou a possibilidade de mudança nos contratos já firmados em até 90 dias, alegando que isso traz insegurança jurídica. “É preciso preservar a segurança jurídica e respeitar os contratos já celebrados, evitando a necessidade de alterações retroativas ou contínuas”, afirmou Carmeis. Além disso, a estatal defendeu que a abertura do mercado seja feita com um prazo de transição adequado, especialmente para as instalações que foram planejadas sob leis anteriores. Em resumo, o gerente disse que a ANP não deve engessar as negociações definindo, de forma preliminar, conteúdos mínimos contratuais, remuneração e receita de referência, especialmente considerando a complexidade e os riscos geológicos e de produção envolvidos. “Estamos falando de gás de diversas especificações, com contaminantes. São negociações demoradas, que envolvem uma série de fatores associados à cada curva de produção. Engessar isso pode ser contraproducente”, argumentou.
A preservação do direito de preferência, considerando contratos vigentes e investimentos já realizados, também foi reiterada pelo IBP e pela Shell. No entanto, para a Abividro, as negociações com a Petrobras não têm sido feitas de forma equilibrada. “Temos que fazer regulação de acordo com a realidade, e hoje o que acontece é a impossibilidade de acesso. Nunca uma negociação foi fácil com a Petrobras”, ressaltou o presidente executivo da associação, Lucien Belmonte. Para Adrianno Lorenzon, presente na audiência como representante do Fórum do Gás, não ter prazos definidos faz com que o agente dominante procrastine as negociações para evitar a entrada de concorrentes. “A Petrobras ficou quatro anos negociando acesso com a PPSA, para conseguir viabilizar um contrato de agente comercializador”, lembrou Lorenzon. A Abrace fez uma manifestação semelhante, dizendo que, sem um teto temporal, a negociação pode se converter em recusa implícita. Ao todo, a Consulta e Audiência Públicas 13/2026 recebeu 918 contribuições, de 39 participantes. Deste total, 33,4% das contribuições são oriundos de órgãos de classe ou associações. A audiência pública contou com a participação de mais de 20 expositores.
Fonte: AgênciaiNFRA
Related Posts
MME: dificuldade de acesso às infraestruturas é barreira à queda do preço do GN
As infraestruturas de escoamento e processamento são hoje um dos principais fatores de impacto sobre os preços do gás natural no Brasil, na avaliação do MM)., Marcello Weydt, diretor de GN do Ministério,...
Shell defende acesso negociado a sistemas integrados de gás
A Shell apoia a preservação do acesso negociado às infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural. A companhia aponta que o modelo é indispensável e defende mudanças na minuta apresentada pela...

