A PPSA (Pré-Sal Petróleo), empresa pública vinculada ao MME, realizou nesta quinta (22) o leilão de 110 lotes de gás natural da União. Foi ofertado 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural da União, com fornecimento entre março e dezembro de 2027. No total, 23 empresas saíram vencedoras do leilão, entre elas Vale, Gerdau, CSN, Samarco e Braskem. As companhias que arremataram os lotes são de pelo menos dez estados brasileiros, de acordo com Renato Dutra, secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME. No lote correspondente aos setores siderúrgico, metalúrgico e de mineração, com 320 mil metros cúbicos por dia (32 lotes), saíram vencedoras a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), a Gerdau, a Samarco Mineração, a Ternium Brasil e a Vale. A Braskem, a Evonik Brasil, a Ingredion, a Peróxidos do Brasil e a Rhodia Brasil foram as companhias vencedoras do certame que ofertou lotes para os setores químico e petroquímico. Foram ofertados 350 mil metros cúbicos por dia (35 lotes). No leilão para o setor vidraceiro, saíram vencedoras as empresas AGC Vidros do Brasil, Cebrace Cristal Plano e Wheaton Brasil Vidros. A oferta total do bloco foi de 10 lotes, ou 100 mil metros cúbicos por dia. Na sequência, o certame do setor ceramista ofereceu 200 mil metros cúbicos por dia (20 lotes). Saíram vencedoras Biancogres Cerâmica, Cerâmica Formigres, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul e Ruy R da Rocha Produtos Cerâmicos. O último certame, para o setor de fertilizantes nitrogenados, foi vencido por Multitecnica Industrial e Yara Brasil. A oferta era de 130 mil metros cúbicos por dia (13 lotes). Como não sobraram lotes remanescentes ao final das cinco etapas, a última rodada, prevista para a tarde desta quinta, não foi realizada. Nessa fase, todas as empresas habilitadas poderiam disputar os volumes disponíveis, independentemente do segmento industrial, sem limite máximo de lotes por participante
Essa foi a primeira vez que a PPSA ofereceu diretamente a consumidores o gás natural processado pertencente à União. O objetivo da empresa é ampliar o número de agentes no mercado de gás, promovendo maior liquidez. A PPSA já tinha divulgado anteriormente que 36 empresas haviam sido habilitadas como proponentes para o leilão. Os representantes das companhias participaram do leilão de forma online, por meio da plataforma eletrônica da CCEE. O certame era destinado exclusivamente a cinco segmentos da indústria de base: os setores vidreiro; ceramista; siderúrgico, metalúrgico e de mineração; químico e petroquímico; e de fertilizantes nitrogenados. O preço do gás natural foi calculado com base em uma fórmula que considera 115% da média das cotações diárias do Henry Hub (referência de gás nos Estados Unidos) e a média das taxas diárias de câmbio, ambas apuradas no mês anterior ao fornecimento, acrescidas dos prêmios vencedores do leilão para os respectivos volumes. O prêmio inicial para cada lote será de US$ 1,80/MMBtu, com ofertas incrementais mínimas de US$ 0,02/MMBtu durante a sessão. A União entregará o gás natural aos vencedores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, no Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), no Rio. Os compradores ficam responsáveis por contratar o serviço de transporte a partir desse ponto, por meio de uma comercializadora habilitada junto à ANP. Segundo a PPSA, o edital do leilão recebeu 320 contribuições de 22 agentes do mercado durante a consulta pública. A empresa afirma que ajustou as regras a partir das sugestões para conferir maior flexibilidade ao processo de habilitação e participação das empresas. Em entrevista a jornalistas depois do leilão, Luis Fernando Paroli, diretor-presidente da PPSA, disse que no ano que vem a empresa prevê realizar um novo leilão para ofertar 1,8 milhão de metros cúbicos diários de gás natural. A PPSA prevê arrecadar, com a venda de gás natural, R$ 376 milhões em dez meses, segundo Paroli.
Fonte: Folha de S.Paulo
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