Diversas associações destacaram a importância do 1º Leilão do Gás da União para o fomento da indústria nacional. Todos os 110 lotes disponibilizados no certame foram arrematados, com um total de 23 empresas vencedoras de cinco setores diferentes. O leilão, coordenado pela PPSA, aconteceu na quinta (22) em uma plataforma da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, afirmou que o certame foi um “marco para a indústria nacional” e apontou que a empresa espera arrecadar mais de R$ 370 milhões. O secretário do Ministério de Minas e Energia (MME) Renato Dutra elogiou o leilão e destacou que as empresas devem ter um desconto de até 57% no preço que pagam pelo gás.Já o diretor-presidente interino da CCEE, Ricardo Simabuku, sinalizou que as condições comerciais favoráveis para a realização do certame também ajudaram no resultado.
A Abegás defendeu que os valores pagos pela indústria no leilão mostram a expectativa do setor para preços mais baixos na molécula do que os praticados. A associação explica que o leilão é uma boa ferramenta para reduzir a ociosidade da indústria nacional. “Entretanto, o País não deve deixar de viabilizar contratos de longo prazo com acesso às infraestruturas essenciais para promover o desenvolvimento de novos mercados e atrair novas indústrias. Ainda assim, o resultado é positivo porque um gás mais competitivo fortalece o uso do energético no Brasil”, argumentou Marcelo Mendonça, diretor executivo da Abegás.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer) afirmou que o acesso a alternativas de suprimento de gás natural para a indústria cerâmica fomenta a competitividade. A Anfacer aponta ainda que diversificar as formas de aquisição amplia as perspectivas para o setor, especialmente em um contexto de custos impactantes para a produção. O presidente do Conselho de Administração da Anfacer, Sergio Wuaden, afirma que o comportamento do setor no certame é evidência do interesse por um gás mais barato. No entanto, ele reforça que o segmento ainda procura preços mais competitivos. “Este é só um primeiro passo. É fundamental que a política de leilões tenha continuidade e disponibilize para o mercado tanto o insumo nacional quanto o gás importado”, finalizou.
O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, afirmou que o leilão representa um avanço no aumento da oferta de curto prazo de gás. “Esse resultado é fruto de três anos de debates e de construção técnica e econômica coordenados pela Abiquim, com o propósito de transformar o gás natural em um fator de competitividade para a indústria brasileira”. Por outro lado, a associação ressalta a importância de reduzir também os custos de movimentação do gás. O insumo comercializado no leilão será entregue na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, localizada no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, os compradores deverão contratar os serviços necessários para transportar o insumo até suas unidades consumidoras. “Este leilão é um passo importante, mas precisamos garantir que o benefício alcançado na comercialização da molécula chegue efetivamente à indústria. Agora, transportadoras e distribuidoras também precisam contribuir para a redução dos custos, com tarifas que permitam aproveitar o gás natural a preços competitivos”, destacou Cordeiro.
As empresas do segmento que arremataram lotes no leilão também elogiaram o certame. Gustavo Checcucci, diretor de Energia e Descarbonização Industrial da Braskem, o leilão mostra como o gás do Pré-Sal pode contribuir para a competitividade da indústria brasileira. “A Braskem, uma das compradoras do leilão, vê nesta iniciativa um avanço importante na diversificação do suprimento e na busca por custos mais competitivos”. Daniela Manique, CEO da Rhodia-Solvay na América Latina e presidente do conselho diretor da Abiquim, destaca a relevância da iniciativa para a competitividade do setor. “Ao reduzirmos a pressão dos custos de produção na base da cadeia, abrimos uma janela real e segura para a retomada dos investimentos no aprimoramento da nossa infraestrutura”. Daniel Hubner, Vice-Presidente Sênior de Soluções Industriais da Yara International, afirma que o leilão representa uma conquista importante para a indústria química e de fertilizantes brasileira e demonstra a importância da articulação entre os diferentes agentes do setor na abertura do mercado do gás. Vitor Fantucci, de Procurement Services da Evonik, analisa que a ampliação da oferta de gás natural e o estímulo à concorrência podem contribuir para a redução de custos e para um mercado mais eficiente e transparente.
Fonte: PetróleoHoje
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