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Mercado de gás e campos terrestres serão desafios para próximo governo

O governo de Jair Bolsonaro deve dar continuidade a atual agenda de abertura do mercado de petróleo, mas precisará enfrentar os desafios de estimular o setor de gás e tornar mais atrativa a exploração de campos terrestres.

“A expectativa é de continuidade [da agenda atual]. Alguns candidatos falaram de cancelar leilões, agora tudo indica que o calendário será mantido. Há alguns desafios que precisam ser superados, no desenvolvimento do gás e de áreas onshore”, avalia o sócio de óleo e gás da KPMG, Anderson Dutra. Embora as últimas rodadas de leilões de exploração tenham sido consideradas bem-sucedidas, o foco ficou sobre as áreas marítimas. Dutra destaca que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tem sinalizado ações para estimular investimentos em áreas terrestres, por meio da manutenção da rodada permanente de campos devolvidos e de blocos exploratórios não arrematados em licitações anteriores. “Será um meio de atrair pequenas empresas e desenvolver essas áreas. É um mercado que precisa ser fomentado”, assinala.

O especialista aponta que, para o desenvolvimento do mercado de gás, é necessário sanar questões regulatórias. “A situação ambiental não está 100% resolvida. Existe legislação para a exploração de gás convencional, mas o não-convencional exige técnicas diferentes, como o fraturamento hidráulico, que ainda não está na regulação.”

O sócio diretor da Gas Energy, Marco Tavares, acredita que o novo governo terá que solucionar questões que ficaram pendentes durante a gestão de Michel Temer. “Houve avanços no setor, como acabar com a obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no pré-sal e a retomada das rodadas de leilões, mas o gás ainda ficou capenga e não conseguiu avançar em questões básicas.”

Tavares assinala que as distribuidoras estatais de gás e a concentração do transporte nas mãos da Petrobras impedem que o mercado seja competitivo. “O gás chega aos clientes por um dos preços mais caros do mundo. Temos uma reserva enorme, mas é preciso destravar essa estrutura.” Ele aponta que esse diagnóstico foi feito no projeto da Lei do Gás. “Mas ainda não foi aprovado, essa é a questão.”

Para o analista de óleo e gás da Tendências Consultoria, Walter de Vitto, a indicação do economista Roberto Castello Branco como presidente da Petrobras a partir de janeiro de 2019 indica a continuidade das atuais políticas da companhia. “Deve-se continuar focando a gestão da empresa voltada para seus resultados, divergindo do que ocorria no governo Dilma [Rousseff], que a usou como veículo de desenvolvimento econômico.” Vitto acredita que o programa de desinvestimentos da estatal, que visa diminuir participação em todas as áreas que não sejam exploração e produção de petróleo, deve continuar. “É de se esperar que ativos como a fábrica de fertilizantes e a malha de gasodutos no Nordeste sejam vendidos. É difícil dizer se será uma gestão mais ou menos privatista, mas a tendência é de continuidade.”

Vitto vê possibilidade de que a gestão Bolsonaro possa rever a política de subsídios de diesel para a Petrobras. “O governo Temer não tinha poder de barganha para enfrentar a greve dos caminhoneiros. A nova administração terá mais capital político, talvez consiga eliminar essa pauta e manter ao menos uma orientação de preço em mais paridade ao mercado internacional.”

Para analistas, o atual viés de baixa do preço de barril de petróleo não deve se sustentar no longo prazo e por isso não é preocupante para as exportações brasileiras. “Ocorreu esse movimento que ninguém previa, com o valor despencando para US$ 63. Mas essa é uma tendência de curto prazo. Nos próximos cinco a dez anos, o patamar de US$ 70 deve se manter”, aponta Dutra.

Vitto vê a queda dos preços causada pela redução de expectativa de crescimento mundial feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “Isso ocasionou um pessimismo exagerado. Na realidade, a demanda por petróleo cresce e há problemas de oferta no Irã e Venezuela, além da possibilidade da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] promover cortes de produção”, destaca.

 

Fonte: DCI

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