Augusto Salomon, presidente executivo da Abegás, acredita que o Brasil está ganhando impulso para adotar o gás como uma matriz energética mais relevante. Nesta entrevista, Salomon atesta suas posições em números do mercado e pesquisas que indicam um futuro promissor para os investidores.
1) O crescimento econômico é um dos eixos do novo momento que o Brasil inicia. Como o senhor vê o aporte econômico e social do gás natural – ganhos já evidenciados e quais os futuros — para o País?
O País tem um cenário com claras perspectivas de crescimento econômico, conforme aponta o próprio Banco Central e diversos analistas. E nesse processo de efetiva retomada, o gás natural tem um papel estratégico por reunir vários atributos: excelente produtividade e qualidade calorífica, logística simples com fornecimento estável e contínuo, muita segurança, baixo nível de emissões de gases causadores de efeito estufa (GEE) e custos competitivos. A expansão do gás natural é importante para o País porque viabiliza novos projetos, gera empregos de qualidade, leva renda para as cidades e localidades. Além disso, em todo o mundo a economia faz uma transição rumo a um modelo mais limpo e o Brasil tem no gás natural um pilar de desenvolvimento sustentável nas próximas décadas. Conforme aponta um estudo da consultoria Strategy/PwC para a Abegás, o aumento da produção nacional no Pré-sal somado ao contexto internacional de maior oferta aponta para um futuro em que o gás tende a ganhar mais relevância no mix energético brasileiro.
2) Quais pontos a Abegás vai priorizar com relação ao fomento e ampliação do mercado de gás natural no Brasil?
A Abegás, em conjunto com suas associadas, preparou um documento de 52 páginas que faz um diagnóstico do setor e apresenta propostas para fomentar e ampliar o mercado. Essa contribuição foi levada ao governo e contém caminhos para ampliar a oferta de gás, desenvolver a demanda, aumentar a competitividade e solucionar entraves para o acesso à infraestrutura existente ou mesmo investir em novas instalações. Estamos confiantes na sensibilidade do Governo e do Congresso para implementar medidas que incentivem todo o potencial de atração de investimento do setor, que estimamos em pelo menos US$ 32 bilhões, sem contar Exploração & Produção. Temos atuado para demonstrar a importância de o Brasil de seguir essa via. Acreditamos que um ponto essencial seja a adoção de medidas que garantam o acesso dos agentes à infraestrutura de escoamento, processamento, terminais de regaseificação e de transporte. A entrada de novos ofertantes, ampliando a competição na oferta da molécula ao mercado brasileiro, será capaz de permitir que o gás chegue aos consumidores em condições ainda mais competitivas.
3) Quais são os investimentos que o Governo Federal deve priorizar para segurança energética do País?
Augusto Salomon – O gás natural é fundamental para dar segurança energética ao País em um contexto de aumento da participação das chamadas novas fontes renováveis intermitentes (eólica e solar fotovoltaica). Hoje, o País tem um parque de termogeração que poderia estar sendo mais bem aproveitado. Defendemos a inserção das térmicas a gás natural na base do sistema elétrico, utilizando as usinas não só no horário de ponta ou em situações de risco hidrológico. Com essa medida, o País ganha em segurança energética, reduz o custo dessa geração e aperfeiçoa o planejamento de todo o sistema elétrico. A termogeração a gás em base firme seria importante para preservar e recuperar os reservatórios hídricos e dar a devida de retaguarda à expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica que são energias intermitentes e, portanto, de menor previsibilidade.
4) O papel das distribuidoras de gás natural. Como o senhor analisa o cenário deste mercado em um horizonte de 4 anos?
Nos últimos anos, mesmo com a crise econômica, as distribuidoras têm feito o seu papel, investindo ainda mais na melhoria de seus serviços e no crescimento da rede de distribuição. Sinal disso é que de 2017 para 2018, a rede de distribuição aumentou 5,1% e o número de consumidores, 6% – enquanto o PIB, de acordo com prognósticos, deve fechar em aproximadamente 1,3% no ano de 2018. Nos cálculos da consultoria Strategy/PwC para a Abegás, somente o setor de distribuição pode movimentar R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2030 na expansão da rede. É importante que o governo federal e os governos estaduais criem condições que incentivem o uso do gás natural, por seus benefícios ambientais, econômicos e sociais, garantindo mais segurança jurídica e atratividade para os investimentos.
5) Como tem sido a evolução do projeto do Brasduto, uma das bandeiras da Abegás?
A proposta do Senador Ronaldo Caiado é importante para incentivar a expansão das infraestruturas essenciais (gasodutos de escoamento da produção, instalações de tratamento e processamento do gás natural) e da malha de gasodutos de transporte de gás natural no País. Nesse sentido, a criação de um fundo para investimento no setor contribuiria para o aumento da oferta, monetização do gás natural do pré-sal e, consequentemente, promoveria um mercado mais competitivo e com tarifas justas. Espera-se que o projeto retorne à pauta do plenário da Câmara dos Deputados este ano.
6) Como o senhor enxerga o mercado de gás natural em Santa Catarina e a atuação da SCGÁS?
O mercado catarinense de gás natural vem se expandindo ano a ano, resultado da competência técnica e comercial de todo o quadro da SCGÁS. Acreditamos no potencial da SCGÁS para seguir crescendo e levar os benefícios do gás natural a todas as regiões do Estado.
Fonte: SCGÁS / Comunicação
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