A diretora de refino e gás natural da Petrobras, Anelise Quintão, disse que os investimentos da companhia na infraestrutura de escoamento de gás até a costa serão feitos em conjunto com parceiros estratégicos.
Segundo a executiva, a indústria brasileira de gás natural passa por um momento de transição de um monopólio que a estatal “cumpriu com bravura e coragem” para um mercado mais aberto e competitivo, no qual a Petrobras “deixará de ser reguladora e garantidora do mercado”.
Ela destacou os compromissos assumidos pela empresa junto ao Cade, como a saída integral de suas distribuidoras e transportadoras. Anelise citou ainda a perda da exclusividade da petroleira no acesso à capacidade dos gasodutos existentes, o que abrirá capacidade ociosa para outros produtores; e o compromisso da Petrobras de deixar de comprar o gás de seus sócios nos campos.
“Escolhemos a opção de sermos carregadores [empresa que contrata a capacidade do gasoduto] e comercializadores do nosso gás. O mercado tende a crescer bastante, principalmente em meados da década de 2020, de 2023 a 2025, com a entrada de novos projetos do polo pré-sal da Bacia de Santos. Mas, para que esse gás possa chegar ao consumidor, é importante novos investimentos [em infraestrutura de escoamento do gás até a costa]. Vamos fazer isso em conjunto com parceiros”, afirmou ela, durante o Seminário de Gás Natural do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).
Novo papel
Nesse novo cenário, a produção de gás natural de terceiros deve ultrapassar a produção da Petrobras entre 2024 e 2025, projetou o ex-presidente do Banco Central e diretor e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Carlos Langoni, que tem atuado como consultor do governo nas discussões sobre a abertura do mercado de gás.
Também no seminário do IBP, ele destacou que, no plano elaborado pelo governo, a abertura será baseada na multiplicidade de ofertantes e no mercado livre. Segundo Langoni, a ideia é que os grandes consumidores, atuando como clientes livres, autoprodutores ou autoimportadores, funcionem como âncoras de demanda para grandes consumidores.
O professor da FGV disse ainda que a proposta de reforma do setor de gás natural, como parte do “choque de energia barata” prometido pelo governo federal, é uma “coisa muito mais elegante, racional e equilibrada” do que a MP 579/2012, que tratou da renovação antecipada e onerosa das concessões do setor elétrico. O comentário é uma resposta a críticos da proposta, sobretudo as distribuidoras estaduais de gás canalizado, que questionam a intenção do governo federal de estimular os Estados a adotarem legislações mais favoráveis a clientes livres.
Ele defendeu que a redução dos preços do gás natural, para o consumidor final, será alcançada de forma natural, como consequência do termo de compromisso assumido pela Petrobras para redução de sua participação no mercado de gás natural. “O viés de baixa vai acontecer de forma natural”, afirmou.
Fonte: Valor Online
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