O consumo de combustíveis caiu 23% em abril, na comparação com igual período do ano passado. Abril foi o primeiro mês a refletir integralmente os impactos das medidas de restrição à circulação de pessoas, como estratégia de enfrentamento à pandemia de covid-19 no Brasil. Segundo dados da ANP, foram vendidos 8,828 bilhões de litros no mês retrasado, o pior patamar para o mês desde 2008. No ano, a queda acumulada nas vendas de combustíveis é de 6,5%.
Os principais destaques negativos em abril foram a gasolina, o etanol e o querosene de aviação (QAV), fortemente impactados por restrições na mobilidade. Já o consumo de gás liquefeito do petróleo (GLP), muito usado nas residências, tem se beneficiado pelas políticas de isolamento social.
Segundo a ANP, as vendas de gasolina comum caíram 28,8% em abril, para 2,274 bilhões de litros — o volume mais baixo para o mês desde 2009. No primeiro quadrimestre, a queda foi de 9,5%, mesmo o derivado tendo ficado mais barato.
O etanol hidratado, por sua vez, recuou 33,7% em abril, para 1,205 bilhão de litros, o pior volume para o mês desde 2017. Nos quatro primeiros meses do ano, a queda acumulada foi de 11,3%.
Já a contração do consumo de QAV foi de 84,8% no mês retrasado, na comparação anual, e de 27,9% no primeiro quadrimestre. O volume vendido em abril, de 84 milhões de litros, foi o mais baixo da série histórica da ANP, iniciada em 2000.
No caso do diesel, cujo consumo está mais atrelado às atividades industriais e transporte da produção agrícola, as vendas caíram 14,6% em abril e 2,1% no acumulado do ano. Ao todo, foram comercializados 3,972 bilhões de litros do combustível no mês retrasado, o pior abril desde 2010.
Na contramão, o GLP manteve sua trajetória de alta. Impulsionado em parte por uma corrida por estoques, o consumo do derivado subiu 4,1% em abril e acumula um crescimento de 4,8% em 2020.
A comercialização de óleo combustível, muito atrelada às termelétricas e à indústria, por sua vez, recuou 6% em abril e 8,8% no quadrimestre. A ANP também contabilizou em abril quedas nas vendas de gasolina de aviação (-43%) e querosene iluminante (-18,%).
Fonte: Valor Online
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