O mandato para o biometano, introduzido na lei do Combustível do Futuro, foi concebido dentro de uma lógica de substituição de um mercado existente de gás natural, mas, para que a produção do biocombustível alcance no futuro patamares ainda maiores será preciso estimular a criação de novas demandas. A avaliação é do diretor técnico comercial da Abegás, Marcelo Mendonça. Para ele, é necessário a criação de políticas para substituição do diesel por gás e biometano no transporte pesado – uma bandeira levantada pela entidade nos últimos anos. Este mês. Abegás e a ABiogás assinam um termo de cooperação que foca em definir ações para promover os corredores a gás. “A criação do mandato [do biometano] intui a entrada, a substituição de um mercado existente, mas para você viabilizar novos investimentos, você precisa de uma demanda nova. Então, é preciso crescer esse mercado”, disse.
Mendonça destaca que a entrada do gás no transporte pesado já é uma realidade. Hoje, são mais de mil veículos rodando a gás no país. Além disso, o diretor da Abegás cita que o Brasil já possui hoje uma rede expressiva de postos de GNV, para veículos leves: são mais 1,7 mil pontos, ante 900 postos nos EUA, por exemplo. “E 25% desses postos estão nas principais rodovias brasileiras. Então, esse programa [de deslocamento do diesel] não sai do zero. O corredor, ele já existe. A gente precisa reduzir a distância entre esses postos, precisa intensificar a adaptação desses postos [para alta vazão]. para você ter uma redução no tempo de abastecimento”, comentou. A expectativa entre as distribuidoras, segundo Mendonça, é que o governo federal comece a olhar para essa pauta, diante da proximidade da COP 30. A Abegás estima que a substituição do diesel importado por gás criaria uma demanda nova por cerca de 30 milhões de m3/dia de gás natural no país. Ele pontua, contudo, que a iniciativa passa pela soma de esforços de políticas públicas dos diferentes entes nacionais.
Fonte: Eixos
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