A Vale assinou com a Origem Energia e a dois contratos de compra de gás natural no mercado livre, o que amplia a atuação da mineradora neste segmento. Ambos os contratos entram em vigência em janeiro de 2025 e vão atender às unidades de produção de pelotas e de briquetes de minério de ferro em Tubarão (ES). O mercado livre de gás natural foi estruturado com a Nova Lei do Gás (14.134/2021) e é semelhante ao do setor elétrico: um grande consumidor pode escolher o fornecedor, as condições contratuais e o prazo de suprimento do insumo. A relação com a distribuidora de gás, à semelhança do que ocorre na eletricidade, se dá apenas no pagamento do uso da rede de dutos. A diferença entre os mercados está na regulação: o mercado livre de energia elétrica é regulado pela União, ao passo que o de gás natural é atribuição dos Estados. Com os novos contratos, a Vale chega a 900 mil metros cúbicos por dia (m3 /dia) de gás natural atendidos pelo mercado livre. O volume corresponde a 90% do total consumido pela empresa nas operações próprias.
A mineradora consome cerca de 1 milhão de m3 /dia de gás natural, o que corresponde a 3,33% do consumo não térmico do país, que é de 30 milhões de m3 /dia. Este segmento exclui térmicas, refinarias e fábricas de fertilizantes do consumo total de gás natural. Pelo acordo, a Origem vai fornecer à Vale 300 mil m3 /dia, com início em janeiro do ano que vem. Já a vai suprir 150 mil m3 /dia a partir do primeiro semestre, evoluindo para 250 mil m3 /dia no segundo semestre. Parte dos outros 350 mil m3 /dia, para chegar aos 900 mil m3 /dia, será fornecida pela Eneva. O gás vai atender à fábrica de pelotas em São Luís, que será convertida para deixar de usar óleo combustível, cujo contrato foi firmado com a produtora de gás em 2022. Localizada em uma região sem infraestrutura de transporte, a unidade será atendida via caminhões. Outro contrato, para migração de uma unidade em Minas Gerais, está em negociação A Vale se movimentou para migrar ao mercado livre em 2022, com o primeiro passo em 2023, quando começou a testar e aprender as particularidades desse ambiente de contratação. As empresas não infomaram sobre preços ou economia estimada
Especialistas estimam que, considerando os preços atuais do gás natural no mercado livre, a Vale teria uma economia da ordem de 12%. Mariana Rosas, diretora de suprimentos estratégicos da Vale, disse que as transações são oportunidade para reduzir custos do insumo diante de uma adesão cada vez maior de consumidores e fornecedores ao mercado livre. Em 2024, a empresa migrou o correspondente a 20% do total consumido, chegando agora aos 90% pretendidos, afirmou Rosas. “Em 2022, ainda tínhamos muitas dúvidas em relação ao funcionamento do mercado: como funcionariam todas as etapas, como a gente se relacionaria com todos os agentes da cadeia. Agora, nos sentimos prontos para a estratégia de ter 90% de todo o consumo de gás natural da Vale no Brasil no mercado livre”, disse a executiva. Segundo ela, os 10% restantes não migrarão para o mercado livre por estratégia da companhia. Grandes consumidores de gás natural têm aderido ao mercado livre em busca de preços mais competitivos e maior flexibilidade de suprimento. Flávia Barros, diretora de comercialização da Origem Energia, destacou que no Nordeste a diversidade de supridores de gás, especialmente oriunda de campos terrestres, permitiu preços da molécula entre 20% e 30% mais baixos que no Sudeste, região que apresenta certa “gordura” nos preços. “A migração tinha um ‘appeal’ [apelo] maior por causa do distanciamento dos preços”, disse Barros.
A executiva salientou que a Origem pode firmar futuros contratos com outros clientes industriais, inclusive com a própria Vale, que incluam a oferta dos serviços de estocagem de gás em reservatórios esgotados, em Alagoas. A estocagem, explicou, permitiria que indústrias armazenassem gás não utilizado caso seja necessário reduzir o consumo, como em paradas para manutenção. Marcelo Lopes, diretor de marketing, comercialização e novos negócios da Eneva, observou que o contrato com a Vale é o primeiro de maior porte desde que a montou uma mesa de gás natural no início deste ano e veio na esteira do firmado em 2022, para suprimento por caminhões para a unidade de São Luís. O fornecimento à Vale virá do ‘hub’ da empresa em Sergipe, onde opera um terminal de gás liquefeito (GNL) e a térmica Porto do Sergipe. Segundo Lopes, a possui entre 7 milhões e 8 milhões de m3 /dia que ainda podem ser ofertados no mercado livre. “Temos várias conversas, desde grandes consumidores industriais até termelétricas, além dos nossos próprios projetos, nos leilões de capacidade, para alocar essa capacidade remanescente”, disse o executivo.
Fonte: Valor Econômico
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