O decreto do biometano, esperado para esta semana, pode ser um marco para acelerar os investimentos no gás renovável, mas o mandato do gás renovável precisa ser bem calibrado para assegurar espaço também para o mercado voluntário, defende a Ultragaz. Segundo o diretor de Gases Renováveis da companhia, Erik Trench, é fundamental que indústrias que já iniciaram a descarbonização tenham garantias de acesso ao biocombustível. “A lei do Combustível do Futuro é uma alavanca, mas tem que ser muito bem calibrada quando a gente olha esse mercado voluntário. Para que todo o gás não vá só para a Petrobras ou para os produtores de gás natural, mas que também tenha um espaço para quem quer descarbonizar”, afirmou Trench. Recentemente, Ultragaz anunciou uma série de novos clientes industriais de biometano, a exemplo da Unilever, Natura e a Jomed Transportes, que estão de olho na descarbonização das suas atividades. “A transição energética é uma jornada, e não uma jornada simples, porque ela muda como você faz hoje. O mais legal de tudo é que o biometano caiu como uma luva dentro do processo, porque ele consegue, de forma rápida, uma substituição rápida, já garantir essa transição energética”, ressaltou.
Um mercado em formação
A entrada da Petrobras no segmento de biometano, anunciada recentemente, não é vista com preocupação pela Ultragaz. “Acho que o mercado está se formando e é um mercado que tem um potencial tão grande que eu acho que tem espaço para todo mundo que quiser entrar”, disse. Trench destacou que tanto a oferta quanto a demanda estão em expansão. “É um mercado livre, é um mercado em que a gente tem encontrado muita oportunidade do lado da oferta, mas também muita oportunidade do lado da demanda”. “O biometano é um combustível do Brasil para o brasileiro. A somatória da cana-de-açúcar, indústria sucro-alcooleira, dos grandes aterros e da produção pecuária fazem a oferta realmente ser um caminho muito fértil”, completou.
Ultragaz de olho no bioGLP
A Ultragaz também aposta, como parte do futuro da transição energética, no bioGLP – pode ser produzido a partir de óleo vegetal e resíduos agroindustriais e urbanos, resultando em uma versão com menos emissões de carbono do GLP, o “gás de botijão”. “O bioGLP é uma bandeira que a gente vem defendendo há um bom tempo e ele também é um elemento super relevante na transição energética. Eu acho que a gente consegue ter a somatória, tanto o biometano, que é uma realidade para já, e o bioGLP no futuro, uma forma de continuar com essa transição energética justa”, afirmou Trench. Com a COP30 no horizonte, a empresa deve reforçar a importância do GLP e do biogás para o combate à pobreza energética. “O GLP na matriz energética, ele é cada vez mais relevante. É um energético bom para a transição energética, é um energético limpo em sua combustão, simples de combustão, e ele ajuda muito as famílias a poderem sair desse tema de pobreza energética”, concluiu.
Fonte: Eixos
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