A Petrobras reafirmou, em seu novo plano de negócios 2026-2030, o compromisso de iniciar as operações do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) em 2030. E sinalizou, com isso, a intenção de colocar o gás natural da principal nova fronteira de produção gasífera do país no mercado na virada da década. O plano da estatal é avançar nos próximos meses com a aprovação final do investimento de SEAP e, uma vez confirmada a contratação da primeira das duas plataformas do projeto, iniciar a licitação do gasoduto em 2026. Projetado com capacidade para escoar até 18 milhões de m³/dia, o gasoduto está previsto para entrar em operação em 2030, junto com a plataforma SEAP 2 – que, não se confunda nas nomenclaturas, é a primeira das duas unidades de produção previstas para operar. “Porque se a gente não comercializar o gás de Sergipe, se ele não for passível de comercialização de uma forma economicamente viável, o projeto de Sergipe Águas Profundas não tem como sobreviver”. “Então é isso que estamos falando: para Sergipe sobreviver, o gasoduto tem que acontecer”, afirmou a presidente da Petrobras. A segunda plataforma de SEAP, por sua vez, ainda não tem uma data clara de entrada em operação no planejamento da estatal.
A manutenção do cronograma da primeira plataforma de Sergipe Águas Profundas para 2030 pode ser interpretada como a principal sinalização da estatal para o mercado de gás no novo plano de negócios, diante da desvalorização dos preços internacionais do petróleo nos últimos meses – e que reforçaram as preocupações quanto à viabilidade do projeto. A Petrobras dá uma resposta, também, ao governo federal – que acaba de vetar um dispositivo na MP 1304/2025 que corrigia a base de cálculo do pagamento de royalties – em troca da continuidade dos investimentos. O veto atendeu a um pedido das petroleiras e dos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, contrariando a posição da Fazenda. A preocupação com a viabilidade do projeto de SEAP foi citada explicitamente pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), nas justificativas do veto. “Essa emenda [vetada] comprometeria inclusive a exploração de gás e petróleo em Sergipe, fundamental para o desenvolvimento nacional”, disse o ministro, a poucos dias da divulgação do novo plano da Petrobras.
O SEAP 2, apesar de estar enquadrado na rubrica de investimentos firmes da estatal para o próximo quinquênio, ainda é um projeto não sancionado – e cujo avanço ainda depende dos resultados da licitação da plataforma, que guarda um histórico de frustrações nos últimos anos. Aqui cabe um breve parênteses sobre o novo planejamento da Petrobras, que a partir deste ano passou a dividir a carteira de projetos em implantação em: “base”: projetos com orçamento aprovado, ainda que não estejam sancionados, e que totalizam US$ 81 bilhões; “alvo”: projetos que totalizam US$ 10 bilhões e que terão sua financiabilidade avaliada trimestralmente antes de aprovados, de fato; SEAP 2 encontra-se no primeiro grupo (com licitação ainda pendente), enquanto SEAP 1 (a segunda plataforma do projeto) está na carteira de projetos que ainda vão disputar recursos. As reservas em Sergipe foram descobertas no início dos anos 2010. O projeto abrange sete campos declarados comerciais pela Petrobras em dezembro de 2021 — Agulhinha, Agulhinha Oeste, Budião, Budião Noroeste, Budião Sudeste, Cavala e Palombeta. Desde então, porém, o desenvolvimento de SEAP passou por sucessivos atrasos – e a mais recente desvalorização do petróleo gerou inclusive uma mobilização política do governo de Sergipe pela manutenção do projeto. Depois de dificuldades para contratar as duas plataformas que vão produzir na região, a Petrobras reabriu a licitação – neste momento, está em fase de negociações com a SBM Offshore, que apresentou as melhores propostas. A empresa prevê a construção de SEAP 2 no modelo build-operate-transfer (BOT), no qual a contratada fica responsável pela construção, entrega e instalação da unidade, que depois é transferida para a operadora. Nas negociações, há a possibilidade de inclusão de SEAP 1 no pacote, com entrega para entre 2031 e 2032. Uma vez contratada SEAP 2, abre-se então o caminho para a licitação do gasoduto
Com o Rota 3 em operação desde o fim de 2024, a Petrobras espera ampliar gradualmente a oferta de gás na malha integrada dos atuais 49 milhões de m³/dia para 55 milhões de m³/dia em 2026 (O número inclui o volume de gás de seus parceiros nos projetos também). Junto com o aumento da oferta, vem os planos da Petrobras de fortalecer sua presença na comercialização. A companhia destaca nesse sentido o lançamento de novos produtos comerciais competitivos; e mapeamento com base de clientes de novas oportunidades de curto, médio e longo prazos. O próximo grande projeto de gás na carteira é Raia, operado pela Equinor na Bacia de Campos, e previsto para entrar em operação em 2028, quando a oferta ao mercado chegará a 62 milhões de m³/dia. Raia sustentará a curva crescente de disponibilidade de gás até o fim da década. Em 2030, a previsão da Petrobras é que a oferta de gás chegue a 67 milhões de m³/dia Uma novidade no plano 2026-2030 é a nova plataforma P-91, em Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Conhecida também como Búzios 12, ela funcionará como um hub para exportação do gás produzido em Búzios, inclusive pelas outras plataformas do campo que não foram originalmente desenhadas para isso (como Búzios 10). A nova unidade, prevista para a partir de 2031, terá capacidade para exportar entre 6 milhões e 7 milhões de m³/dia para a costa – mas apenas uma parte disso será, de fato, gás coletado de outras plataformas. Em outubro, o CNPE aprovou uma alteração na Lei de Partilha, que vai permitir a renovação desses contratos por mais 27 anos – o que ajudou a dar mais conforto ao investimento. Além disso, a estatal prevê a retomada no onshore – em especial com perfurações em Urucu (AM) e na Bahia, onde a companhia planeja 100 perfurações nos próximos cinco anos, com oportunidade para prospecção de gás natural. Magda, aliás, disse que o Polo Bahia Terra, que em gestões passadas, no governo Bolsonaro, chegou a ser colocado à venda, é, hoje, um ativo lucrativo – e que não há, portanto, planos de se desfazer dele neste momento. “Enquanto ele persistir lucrativo, ele fica [na carteira de ativos da empresa]. No momento que ele deixar de ser lucrativo, nós vamos fazer outra coisa com ele. Mas, por enquanto, ele está sendo lucrativo”.
A Petrobras também se prepara para entrar na produção de biometano e reforçou, com seu novo plano, que a estratégia é fazer isso comprando participações minoritárias em empresas consolidadas do setor. O plano 2026-2030 prevê investimentos de US$ 1,1 bilhão em biometano e biodiesel no período. A estatal vê na entrada na produção do biocombustível algumas sinergias com suas operações. Por exemplo: funciona como hedge para suas obrigações com o mandato do biometano. A companhia se prepara para a aquisição dos CGOBs (o Certificado de Garantia de Origem do Biometano), para cumprir o mandato do biometano a partir de 2026. A estatal será a principal off-taker do mercado. Originalmente, a política previa uma meta de redução de emissões de 1% de biometano, percentual que ficou estabelecido em 0,25% para o primeiro ano. A empresa vê também oportunidades, com o biometano, de reduzir a importação de gás natural liquefeito (GNL); descarbonizar suas atividades; e usar o biometano como insumo para produção de hidrogênio de baixo carbono.
de uma perspectiva de longo prazo, a estatal acredita que a matriz energética brasileira continuará sendo mais renovável do que a matriz global; e que a participação do gás na matriz será mantida em 8% até 2050 – ante os 9% de 2023. A petroleira prevê um aumento gradual da inserção do gás na matriz energética do setor de transporte pesado nas próximas décadas. A estatal, no entanto, aposta num crescimento maior do diesel e do coprocessado, em substituição ao diesel – que se manterá predominante no setor. Entre os veículos leves, por sua vez, a tendência é que os biocombustíveis sejam predominantes.
Fonte: Eixos / Gasweek
Related Posts
Compensação ambiental prevê R$ 1,1 milhão para obra de ramal do gasoduto
O ramal de gasoduto que ligará Três Lagoas a Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, terá compensação ambiental estimada em R$ 1.159.469,35. O valor foi definido em Termo de Compromisso de Compensação...
Evento da Firjan debate desafios para crescimento do mercado de gás
O ano de 2026 é considerado decisivo para se alcançar os avanços esperados no mercado de gás, na avaliação do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ao destacar em evento da entidade que o Brasil – e, em...

