A demanda termelétrica máxima por gás natural no Brasil deverá crescer 115,4% na próxima década, com um salto de 65 milhões de m³ por dia em 2025 para 140 milhões de m³ por dia já em 2034, mantendo o patamar no ano seguinte. A projeção é do Plano Decenal de Energia 2035 (PDE 2035), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo o documento, a demanda começa a crescer já em 2026, com a retomada de algumas UTEs existentes que ficaram descontratadas em 2024, além da retomada da operação de usinas contratadas no leilão de reserva de capacidade (LRCap) de 2021. No cálculo da demanda termelétrica máxima, a EPE considera as existentes, previstas (vencedoras dos leilões de energia) e indicativas (projetos sem localização definida). Em relação à demanda total máxima, que considera os setores industrial, residencial, comercial, de transportes e para fertilizantes, além do gás de uso do sistema, a demanda total no Brasil deverá passar de 119 milhões de m³ por dia em 2025 para 218 milhões de m³ por dia em 2035, com aumento de 76,5% em dez anos. Na média, a demanda total por gás natural apresenta crescimento de 6,2% ao ano ao longo do período de projeção, resume a EPE. Neste contexto, as térmicas, que atualmente respondem por 54,6% da demanda total de gás no país, passarão a corresponder por 63,8% do consumo nacional da molécula. No cálculo de demanda total máxima, a EPE considera a operação total das térmicas. A empresa faz também uma estimativa de demanda total média, que usa a projeção de demanda termelétrica esperada para geração em cada ano. Os valores da demanda total média não foram especificados, mas a EPE informa que ela equivale a aproximadamente 51% da demanda total máxima.
Da demanda total prevista de 218 milhões de m³ por dia em 2035, 58,3% devem estar na malha integrada. Atualmente, a proporção é de 61,3%, segundo a EPE. No mercado térmico, entretanto, a tendência é de aumento do volume de gás na rede. Em 2025, 38% do consumo total passam pelos dutos de transporte. Para 2035, a expectativa é que essa fatia cresça para 39,3%. Com isso, as térmicas deverão responder por 43,3% do volume na rede de transporte em 2035, contra 30,1% do volume total da rede em 2025. A projeção ocorre apesar das térmicas em sistemas isolados, como a UTE Novo Tempo Barcarena, da New Fortress Energy (NFE) e da UTE GNA II, da GNA, que entraram em operação em 2025.
A EPE reduziu em cerca de 5% a oferta total na malha integrada para o PDE 2035, em relação ao PDE 2034. Considerando o final do horizonte do estudo, a empresa avalia que o país chegará a 2034 com oferta de 168 milhões de m³ por dia, contra uma expectativa de 175 milhões de m³ por dia anunciada no ano passado. Segundo a EPE, o ajuste para baixo se deve à redução do volume importado da Bolívia pela prorrogação de entrada de “alguns projetos de produção” no Brasil, reduzindo a oferta nacional. Entre os projetos em atraso, está Sergipe Águas Profundas, antes esperado para 2029 e agora previsto para 2030. Mesmo assim, a empresa avalia que a oferta de gás na malha integrada deverá aumentar 32% na próxima década, a 169 milhões de m³ por dia. Há um crescimento gradual da participação média do gás nacional na oferta potencial total, variando de 36% a 50% entre 2025 e 2035, indica a EPE. O gás importado deverá passar de 134 milhões de m³ por dia em 2025 para 154 milhões de m³ por dia a partir de 2030. Um pico de importações deve ocorrer em 2027, a 162 milhões de m³ por dia. A participação do gás boliviano cai de 13 milhões de m³ por dia em 2025 para 10 milhões de m³ por dia em 2028 e metade deste valor a partir de 2030. Assim, a maior parte do gás importado chegará ao Brasil via terminais de gás natural liquefeito (GNL), que deve responder por uma média de 49% da oferta potencial total na malha integrada no período.
Fonte: MegaWhat
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