Um estudo técnico realizado pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS, em parceria com a Sulgás, confirmou a viabilidade da injeção de biometano na rede de distribuição de gás natural no Rio Grande do Sul. Os engenheiros comprovaram que a mistura do biogás com o gás natural já distribuído para residências, por exemplo, é homogênea e poderia ser distribuída, como já é feito em países europeus como Reino Unido, Alemanha e França.
O trabalho foi desenvolvido por cerca de um mês no Polo Petroquímico de Triunfo, na região carbonífera gaúcha, e reafirmou o potencial do biometano como fonte renovável segura para a transição energética. Além de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, o biometano valoriza resíduos orgânicos ao transformá-los em energia limpa, promovendo uma economia circular e mais sustentável.
Utilizando modelagem tridimensional do sistema e simulações numéricas de alta precisão, o estudo testou diferentes cenários operacionais de vazão e linhas de alimentação. Os resultados demonstraram que a mistura entre biometano e gás natural é homogênea, com variações mínimas nos parâmetros de qualidade — inferiores a 1% no Poder Calorífico Superior (PCS) e a 0,5% no Índice de Wobbe (IW).
O PCS representa a quantidade total de energia libertada na combustão completa do gás, enquanto o Índice de Wobbe é um indicador internacional que mede o conteúdo energético de um gás e a sua intercambialidade. Ambos são essenciais para garantir segurança, eficiência e desempenho adequado na utilização do gás.
Para o IPR, o estudo reforça a confiabilidade da solução proposta. A equipe de engenheiros concluiu, nos cenários avaliados, que o gás entregue ao consumidor final mantém as características energéticas equivalentes às do gás natural atualmente em uso.
“A emissão de laudos laboratoriais para verificar a conformidade do biometano e da mistura com gás natural é uma condição essencial para assegurar rastreabilidade, confiabilidade e segurança energética do uso do gás renovável para toda a cadeia interessada na descarbonização das suas atividades”, diz Naira Poerner Rodrigues, Responsável Técnica pelo Instituto.
A parceria entre a PUCRS e a Sulgás mostra como a união entre prática e pesquisa pode gerar soluções reais para uma energia mais limpa no Rio Grande do Sul. Para a Sulgás, a viabilidade técnica da mistura entre biometano e gás natural abre caminho para uma matriz energética mais limpa e eficiente e contribui com a descarbonização e o uso inteligente dos recursos locais.
Fonte: Portal da PUC/RS
Related Posts
SCGÁS apresenta soluções de gás natural e biometano em reunião com a prefeitura de Curitibanos
O presidente da SCGÁS, Otmar Müller, e o diretor técnico comercial, Silvio Renato Del Boni, se reuniram com representantes da Prefeitura de Curitibanos para discutir os projetos de gás natural e biometano...
Produção brasileira de gás limpo pode mais que dobrar até o fim da década
A indústria de biometano no Brasil pode mais que dobrar de tamanho até o fim da década, continuando a expansão iniciada nos últimos anos. Com o impulso das metas de descarbonização e da Lei do Combustível...

