Parte expressiva do avanço do biogás – comparável à eficiência do gás natural após ser filtrado e convertido em biometano – no país se dá pelas empresas de saneamento, que já produzem 60% da geração, especialmente a partir de aterros sanitários, apesar de concentrarem apenas 9% das plantas existentes atualmente. A agropecuária, por sua vez, detém 80% das unidades fabris, mas 19% do que é produzido. O segmento industrial, que inclui a agroindústria, responde por 11% do número de plantas, com 21% da produção. A Sabesp, cuja produção chega a quase 23 milhões de Nm3 /ano (normal metro cúbico/ano), tem planos para expandir a instalação de sistemas de aproveitamento do biogás em mais estações de tratamento de esgotos (ETEs) da região metropolitana de São Paulo.
“Essa expansão é fundamental, considerando a concentração populacional e a quantidade de efluentes”, diz Ivana Wuo, diretora de tratamento de esgotos da companhia. Segundo ela, o biogás será aproveitado para geração de energia elétrica, que pode alimentar as próprias ETEs ou ser injetada na rede. “Adicionalmente, o biogás será utilizado como fonte de energia térmica para o processo de secagem de lodo, uma etapa crítica do tratamento que demanda considerável quantidade de energia”. Para Felipe Souza Marques, diretor presidente do Cibiogás, o biometano tem ganhado espaço devido às suas características similares ao gás natural, que possibilitam inclusive que ambos sejam injetados na mesma rede.
Segundo o executivo, juntos, os dois combustíveis alcançam mercados que teriam dificuldade para conseguir isoladamente. Produto é similar ao gás natural e pode ser injetado na mesma rede de distribuição A Regenera, unidade de resíduos sólidos da Aegea, capta cerca de 25 mil Nm3 /hora de biogás no aterro sanitário de Seropédica (RJ). Uma parte, convertida em biometano, é destinada para a indústria e para o abastecimento veicular (são cerca de 130 mil m3 de biometano por dia); outra parte é enviada para uma geradora de energia elétrica, com capacidade de 2,8 MW. Com uma expansão prevista, a capacidade deve chegar a 8,4 MW. “Com base na geração atual e na projeção de recebimento de resíduos para os próximos anos, prevemos a realização de investimentos na ordem de R$ 105 milhões até 2028”, diz Yaroslav Memrava Neto, vice-presidente da empresa. De acordo com ele, a unidade de tratamento de resíduos de Seropédica é responsável por cerca de 8% do potencial instalado para captação de biogás proveniente de aterros sanitários no Brasil.
Já o Grupo Energisa adquiriu recentemente 52% da paranaense Lurean, que atua no tratamento de resíduos e comercialização de adubo orgânico. “A partir dessa operação, será implantada a nossa segunda usina de biometano”, informa Luiz Fernando Tomasini, diretor de negócios da EBIO Energisa Biogás. Com investimentos de R$ 100 milhões, a planta, com operação comercial prevista para 2028, terá capacidade de produção de 28 mil m3 /dia. Tomasini lembra que, em 2023, o grupo investiu outros R$ 110 milhões na construção de sua primeira usina de biometano em Campos Novos (SC). A unidade, que entrou em operação este mês, pode gerar aproximadamente 28 mil m3 /dia de biometano com o processamento diário de 300 toneladas de resíduos orgânicos, além de produzir cerca de 40 mil t/ano de fertilizante orgânico. Para o executivo, o biometano cria alternativas mais sustentáveis e competitivas para atender à crescente demanda do mercado, principalmente em período instáveis como o provocado com a crise no Oriente Médio. “Quando o mundo enfrenta tensões em rotas críticas de abastecimento, ganha força a discussão sobre fontes domésticas, previsíveis e menos expostas à volatilidade externa”, pondera.
Fonte: Valor Econômico / Suplemento – Transição energética
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