Está programado para a próxima sexta (01) o primeiro reajuste no preço do gás natural da Petrobras desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro. A consultoria Wood Mackenzie estima um aumento de 18%, na média, no ajuste trimestral dos contratos de fornecimento às distribuidoras de gás canalizado.
– A Abegás, que representa as distribuidoras, pediu à Petrobras e aos demais supridores das concessionárias estaduais a abertura de um canal de negociação para mitigação dos impactos sobre a competitividade do gás, mas não houve respostas ao pleito, relata o diretor-executivo da associação, Marcelo Mendonça.
– Em carta enviada à Petrobras, há duas semanas, a Abegás cita que um reajuste na magnitude esperada pode ter impactos sobre a demanda e sobre a sustentabilidade econômico-financeira dos contratos; e defende a discussão de alternativas como mecanismos de suavização de reajustes e revisões de preços.
O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo para a casa dos US$ 100 o barril — o Brent é o principal indexador dos contratos de gás no Brasil.
– Na sexta (24), o Brent para julho cedeu 0,22% (US$ 0,22), a US$ 99,13 o barril. Na semana passada, a cotação acumulou uma alta de cerca de 13%.
– A tendência, inclusive, é de um novo aumento na segunda-feira (27), depois do impasse nas negociações entre EUA e Irã no final de semana.
A expectativa é que o reajuste de maio seja apenas o primeiro. A depender dos novos episódios da guerra, a inflação deve acertar em cheio o mercado de gás no próximo reajuste trimestral, em agosto — às vésperas das eleições presidenciais no Brasil.
– Nesse caso, a alta esperada é superior a 50%, segundo a Abegás.
– Vale lembrar: as distribuidoras não têm aumento de margem com o reajuste do gás. Os valores são repassados para tarifas nos reajustes periódicos feitos caso a caso nos estados.
– Um reajuste nessa proporção pode corroer o aumento de competitividade do gás registrado nos últimos anos.
– Desde dezembro de 2022 o preço da Petrobras para as distribuidoras acumula uma redução da ordem de 38%, por exemplo.
-“Nossa preocupação é que o gás seja esquecido e penalizado, enquanto outros combustíveis estão sendo desatrelados dos preços internacionais. Como não tivemos respostas, o cenário com o qual trabalhamos agora é de que haja alguma rota de correção para minimizarmos o efeito do aumento esperado para agosto”, comentou Mendonça.
Fonte: Eixos
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