A YPFB projeta uma redução de 30% nas exportações de gás natural da Bolívia em 2026 e uma movimentação ainda marginal de gás argentino rumo ao Brasil. A estatal boliviana, que tem o Brasil como seu principal mercado externo, convive com o declínio de suas reservas e prevê exportar, este ano, na média, 9,11 milhões de m³/dia. Os dados incluem tanto os contratos firmes quanto os volumes exportados na modalidade interruptível, no mercado spot, e fazem parte do relatório de prestação de contas, divulgado pela companhia na semana passada. Já a importação de gás argentino, via Bolívia, deve movimentar um volume inferior a 500 mil m³/dia ao longo de 2026, de acordo com a Gas TransBoliviano (GTB). A transportadora opera o lado boliviano do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) – a única rota disponível, hoje, para entrada de gás argentino na malha integrada de gasodutos do Brasil.
Exportação de gás boliviano pode acabar em 2030
A YPFB estima que, com os níveis atuais de reservas provadas, a capacidade de exportação de gás do país se esgotará em 2030. O governo boliviano de Rodrigo Paz trabalha na reforma do atual marco legal do setor de óleo e gás e acena com redução fiscal para atrair petroleiras estrangeiras e, assim, aumentar a sua capacidade de investimento em exploração. O novo presidente da YPFB, Sebastián Daroca, prega senso de urgência para reverter a tendência de queda na produção de gás no país. A estatal anunciou que seu atual portfólio de projetos de exploração inclui prospectos com um potencial estimado de 11 TCF (trilhões de pés cúbicos), ajustado para 3 TCF sob critérios de risco, além de oportunidades em estágio inicial com um potencial de 7 TCF. A YPFB estima que, se conseguir incorporar seus recursos contingentes, conseguirá alongar a autossuficiência de gás da Bolívia até 2034. “Mas isso não é suficiente. Precisamos incorporar investimentos e a capacidade de desenvolver, com base nesses investimentos, todo o nosso portfólio de prospectos e oportunidades que identificamos para aumentar nossas reservas”, afirmou. Daroca acredita que a nova lei de hidrocarbonetos poderá gerar o pacote de incentivos e a segurança necessários para atrair os investimentos para recuperação das reservas do país a partir deste ano. “Isso significaria que, a partir dessas decisões tomadas agora, em 2028 e 2029 começaremos a ver uma recuperação no nível de produção do nosso país”, complementou. A YPFB anunciou, no fim de 2024, pela primeira vez em seis anos, o seu certificado de reservas provadas e confirmou, oficialmente, o declínio de seus volumes nos últimos anos. Ao todo, a companhia possuía 4,5 TCF (trilhões de pés cúbicos) em 31 de dezembro de 2023, uma queda de 58% em relação a 2017.
Declínio afeta traders privados no Brasil
A Bolívia é, hoje, não só a nossa principal fonte de suprimento de gás importado. É também uma peça importante na dinâmica dos agentes privados do mercado brasileiro. O país vizinho vem se consolidando, desde 2025, como uma fonte importante e contínua para os comercializadores privados — que importam da Bolívia entre 3 milhões e 5 milhões de m³/dia. Ao menos sete companhias (Edge, Galp, J&F, MTX, Shell, Tradener e YPFB) têm reservado capacidade continuamente no Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), na fronteira, ao longo deste ano, mostra levantamento da agência eixos. Juntas, elas têm contratos com a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). para reserva de 3 milhões de m³/dia em Corumbá (MS), a porta de entrada do gás importado — seja da Bolívia, seja da Argentina, via gasodutos bolivianos. Além delas, a Eneva e a Deal Comercializadora têm realizado importações com frequência da Bolívia, mas por meio de contratos diários com a TBG — recurso usado também por Galp, J&F e MTX. Com o declínio das reservas bolivianas, esse gás tem um prazo de validade.
Fonte: Eixos
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