A Petrobras avalia internamente diferentes soluções – e não só o parcelamento – para suavizar o aumento do preço do gás natural no próximo reajuste trimestral, em agosto, disse o gerente geral de Comercialização de Gás e Energia da estatal, João Marcello Barreto. A ideia, segundo ele, é apresentar as propostas ao mercado “o mais breve possível”. Barreto cita que, para além do parcelamento do ajuste, a petroleira também avalia medidas como o estabelecimento de pisos e tetos nos preços, tanto no mercado cativo quanto no mercado livre. “O parcelamento é um dos mecanismos possíveis”. Barreto destacou que, diferentemente da última grande crise dos preços internacionais, quando a Petrobras aumentou em 40% os preços do gás nacional na virada de 2021 para 2022, o mercado brasileiro está, hoje, menos dependente das importações. “Hoje a oferta nacional está em um nível muito maior, a gente está menos dependente de oferta internacional e a gente não pode correr o risco de ter uma destruição de demanda. Então, a gente está avaliando o que a gente vai fazer nos contratos”, comentou. A solução final, sinalizou ele, será discutida com os clientes. “Quando a gente fala que a Petrobras vai construir uma proposta é que a gente tem ideias, que a gente testa também, para ver o que os clientes entendem que é melhor caso a caso, seja do mercado livre ou do mercado cativo”. Em maio, a Petrobras aumentou em 19,2% o preço do gás vendido às distribuidoras, no primeiro reajuste trimestral da estatal a refletir os impactos da guerra. As distribuidoras estaduais, representadas pela Abegás, pedem uma solução para a mitigação dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços domésticos. Na semana passada, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal avalia o parcelamento do próximo ajuste, previsto para agosto, e que pode chegar a 40% segundo estimativas da Abegás.
Preço no Brasil já está descolado, defende Petrobras
Barreto comentou também sobre a discussão em torno de um possível “abrasileiramento” dos preços do gás no Brasil – ou seja, a adoção de indexadores menos expostos aos preços de referência internacionais. Na avaliação dele, o preço do gás no Brasil, hoje, já não reflete por completo os picos dos preços internacionais do gás – como o TTF, preço de referência da Europa, e o JKM, da Ásia. “Se você só pegar os preços que estão praticados no mercado, hoje, eles já não têm o menor colamento com o mercado internacional se você for ver o que está acontecendo na Europa”, ressalvou. “A gente está em uma base mais baixa aqui no Brasil e quando a gente está discutindo mecanismos para tentar minimizar esse impacto que seria do reajuste de agosto já é uma forma de você fazer um maior descolamento ainda do mercado internacional”, completou. A redução da exposição dos preços brasileiros ao mercado internacional é uma demanda que parte de segmentos de clientes da estatal, das distribuidoras estaduais às indústrias. O vice-presidente Jurídico e de Relações Institucionais da Ternium Brasil, Pedro Teixeira, defendeu a indexação do gás da Petrobras aos custos de produção do gás nacional. Assista na íntegra. O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Argus. Lucas Boacnin, também vê espaço para a discussão em torno de um indexador mais aderente à realidade do mercado brasileiro. Segundo ele, os preços no mercado spot, monitorados pela Argus, já indicam que a precificação no Brasil reflete mais, atualmente, a dinâmica interna de oferta e demanda e aspectos relacionados à infraestrutura – como as operações de balanceamento dos gasodutos de transporte – do que os próprios indicadores externos.
Fonte: Eixos
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