A Bioo assinou o primeiro contrato de compra e venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) publicamente divulgado no país. O acordo vinculante foi firmado com um grande player europeu não divulgado e prevê a entrega dos certificados até o fim deste ano, dependendo da conclusão das etapas operacionais necessárias à emissão pela ANP. Criado pela Lei do Combustível do Futuro, o CGOB permite comercializar o atributo renovável do biometano separadamente da molécula física do gás. Na operação da Bioo, os certificados serão destinados ao mercado voluntário europeu. No Brasil, o instrumento também poderá ser utilizado para atender às metas compulsórias de descarbonização de produtores e importadores de gás natural. Para 2026, o CNPE estabeleceu uma meta de descarbonização de 0,5%, equivalente a 181,7 milhões de m³ de biometano por ano. A legislação prevê a elevação gradual do percentual, que poderá chegar a 10%, ampliando a demanda pelo combustível renovável e por seus certificados de origem. O mercado de CGOBs tem potencial para movimentar cerca de R$ 4 bilhões anuais, segundo estimativa apresentada pela companhia. A emissão dos certificados depende da entrada em operação do sistema da ANP que gera o lastro a partir das notas fiscais de venda do biometano e da aprovação, pela agência, das auditorias de certificação de origem já realizadas nas plantas produtoras. O Instituto Totum, primeiro Agente Certificador de Origem credenciado pela ANP para o CGOB, esclarece que o instrumento não é um crédito de carbono, mas uma certificação da origem renovável do biocombustível. A comercialização separada do atributo ambiental, em modelo conhecido como book-and-claim, permite que o biometano seja vendido fisicamente no mercado onde é produzido, enquanto sua característica renovável atende a compradores em outras regiões. O mecanismo amplia o universo de potenciais clientes e pode criar uma fonte adicional de receita para os projetos, contribuindo para sua viabilidade econômica.
Segundo a ANP, o país tem cerca de 1,3 milhão de m³/dia de capacidade autorizada de produção de biometano em operação, além de outros 2 milhões de m³/dia em diferentes estágios de autorização, com entrada prevista até 2028. A Bioo transforma resíduos orgânicos da agroindústria em biometano, CO₂ biogênico e fertilizantes. A empresa tem uma unidade em operação em Triunfo (RS), um projeto aguardando Licença de Instalação em Toledo (PR) e outros em desenvolvimento, como o de Passo Fundo (RS). Entre seus acionistas estão a gestora Flying Rivers Capital, a Sebigas Cótica e a BNDES Participações (BNDESPAR).
Fonte: EnergiaHoje
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