O primeiro leilão de gás natural da União, no qual um total de 1,1 milhão de m³ por dia foram oferecidos diretamente a grandes consumidores, foi encerrado com todos os 110 lotes arrematados. Ao todo, 23 empresas de cinco setores industriais se sagraram vencedoras de um total de 36 proponentes habilitados. O preço médio, que considera fatores como o valor do gás e o prêmio pago pelas vencedoras, e o ágio ainda serão divulgados. O insumo será fornecido entre março e dezembro de 2027 a partir da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, localizada no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, no Rio de Janeiro. A responsabilidade de contratar o transporte do gás será dos vencedores. As companhias vencedoras arremataram todos os lotes em cinco etapas, de modo que não foi realizada a etapa extra na qual teriam que competir entre si, ou seja, sem separação por setor industrial. Na avaliação da PPSA, o resultado do leilão foi um sucesso. A empresa disse que já planeja novo certame neste segmento para o próximo ano. “Ano que vem teremos um novo leilão, e ele será de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia de capacidade, ou seja mais de 50% maior do que o que oferecemos hoje”, disse a jornalistas Fernando Paroli, presidente da empresa, responsável pela gestão dos contratos de partilha de produção.
“É um marco para a indústria nacional. Conseguimos provar que a demanda de gás no Brasil é muito maior que o consumo que nós imaginávamos. Todos os setores compram 100% da produção hoje, o que mostra que todos esses setores tinham demanda reprimida.” Paroli comentou que, se a PPSA fosse privatizada, a lógica de atuação no país seria diferente. “Estou em período de defeso, então não posso comentar. Mas o que digo é que temos uma empresa pública fazendo, em regras de mercado, o incentivo à indústria nacional. Se essa empresa já estivesse vendida, privatizada, a lógica seria completamente diferente. Ela seria a de pegar o gás e vender ao maior preço possível”, disse. O certame reduziu em até 57% o preço pago pela indústria pelo milhão de BTU, que equivale a 26,8 metros cúbicos de gás natural, segundo estimativa do MME. “É fundamental que o Estado, em setores estratégicos, como energia, óleo e gás, tenha instrumentos para fazer controle de exploração ou incentivar a competitividade do nosso país”, disse Paroli. O órgão deve arrecadar R$ 40 bilhões neste ano. “Se esta empresa não é eficiente, não sei qual no mundo será”, completou.
Vidreiro (3): AGC Vidros do Brasil, Cebrace Cristal Plano e Wheaton Brasil Vidros. A etapa da indústria vidreira era a menor do leilão, com 10 lotes ofertados (totalizando 100 mil m³/dia), e todos foram adquiridos. · Ceramista (8): Biancogrês Cerâmica, Cerâmica Formigrês, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul, e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos. Foram arrematados todos os 20 lotes ofertados (totalizando 200 mil m³/dia). · Siderúrgico, metalúrgico e de mineração (5): Vale, CSN, Gerdau, Samarco e Ternium. Todos os 32 lotes, totalizando 320 mil m³/dia, foram arrematados. · Químico e petroquímico (5): Braskem, Evonik Brasil, Ingredion Brasil, Peróxidos do Brasil, e Rhodia Brasil. Foram 35 lotes ofertados (total de 350 mil m³/dia) e todos arrematados. · Fertilizantes e nitrogenados (2): Multitécnica Industrial e Yara Brasil. Foram comprados todos os 13 lotes ofertados para essa indústria.
Fonte: Valor Online
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