A migração para o mercado livre levou à uma redução de até 25% nos custos da Braskem com gás natural. A companhia tem polos industriais em cinco estados brasileiros, distribuídos em três regiões diferentes. Na última terça-feira, a empresa anunciou que os negócios no Rio de Janeiro também começaram a operar no mercado livre, após acordo entre Naturgy, a agência reguladora estadual Agenersa e o governo do estado. Segundo Gustavo Checcucci, diretor de Energia e Descarbonização Industrial da Braskem, a companhia já conseguiu ver avanços relevantes no consumo junto ao acesso a um gás mais competitivo. “Na prática, a migração permitiu à companhia acessar, por meio da Voqen, diferentes fornecedores em condições mais vantajosas, gerando oportunidades de redução de custos com gás natural entre 5% e 25% nas unidades migradas, em comparação ao mercado regulado”. Além do Rio de Janeiro, os polos do Rio Grande do Sul e de São Paulo também já migraram totalmente para o mercado livre. De acordo com Checcucci, o polo do grande ABC Paulista ultrapassou a marca de consumo de 700 mil m³ por dia de gás, enquanto o de Triunfo (RS) consome cerca de 350 mil m³ por dia. Ele afirma que a migração da planta Q2 foi acompanhada de uma estimativa de economia de aproximadamente R$ 2 milhões por mês.
Bahia
A empresa também está migrando as operações na Bahia para o mercado livre, embora este movimento esteja sendo feito de forma gradual desde 2025. No total, o consumo da planta é de 900 mil m³ por dia. O acordo entre a Naturgy, Agenersa e o governo do Estado do Rio de Janeiro foi firmado no início de outubro. A decisão possibilitou a migração de consumidores industriais que tenham consumo mínimo de 10 mil m³/dia para o mercado livre de gás. Segundo Checcucci, o acordo criou segurança regulatória para a migração da Braskem. “Nesse ambiente, é possível diversificar fornecedores, negociar condições contratuais mais aderentes às necessidades operacionais de cada unidade e buscar maior previsibilidade de custos. Essa flexibilidade contribui para fortalecer a competitividade das operações industriais da Braskem e faz parte de uma estratégia nacional de gestão energética conduzida pela companhia”. Toda migração para o mercado livre da Braskem passa pela Voqen, comercializadora de energia do grupo, que atua na estruturação de contratos e na gestão do portfólio energético. Checcucci afirma que o grupo acompanha oportunidades que possam ampliar a oferta de gás natural e aumentar a competitividade das operações. Ele sinaliza que o mercado de gás argentino representa uma oportunidade para ampliar o fornecimento da companhia e afirma que estão monitorando a evolução das condições regulatórias e comerciais para viabilizar o empreendimento.
Transação com a Petrobras
Em alinhamento com o planejamento da companhia de aumentar a oferta de gás natural, a Braskem informou no fim de outubro ter feito doze operações de fornecimento e recebimento com a Petrobras, uma das co-controladoras da petroquímica. Do total, onze aconteceram em 2026 e uma em 2025. A transação somou mais de R$ 51 milhões e foi informada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além disso, a Braskem foi uma das vencedoras do 1º leilão de gás da União, feito pela PPSA. Logo após o certame, Checcucci afirmou que o evento mostrou como o gás do Pré-Sal pode contribuir para a competitividade da indústria brasileira. “A Braskem, uma das compradoras do leilão, vê nesta iniciativa um avanço importante na diversificação do suprimento e na busca por custos mais competitivos.”
Fonte: PetróleoHoje
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