O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse em entrevista ao Valor que dificilmente a nova direção da estatal, que será eleita no próximo dia 13, terá instrumentos para alterar a política de preços da empresa, como vem sendo cobrado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro. “Não tem margem de manobra para mudar isso”, afirmou o general da reserva, que sofreu intensa pressão de Bolsonaro nas últimas semanas, em meio à crise dos combustíveis.
“Com o que tem hoje de legislação, de norma, não dá [para mudar a política de preços]. É preciso considerar ainda que a empresa toma decisão compartilhada, é uma vontade coletiva, passa pelo comitê executivo, pelo conselho de investimentos. Se não mudar a legislação [que instituiu a política de paridade com o mercado internacional], não vejo como alterar isso na Petrobras”, completou.
Silva e Luna recusou-se a deflagrar um processo para mudar a política de preços, instituída em 2016, apesar das cobranças públicas de Bolsonaro, e de outras autoridades, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e acabou sendo demitido. Mas a cinco dias de deixar o cargo, anunciou a redução do. preço do gás de cozinha (GLP) em 5,6%, sem que fosse necessário alterar a política de preços. Em comunicado oficial, a empresa justificou a iniciativa pela “evolução dos preços internacionais e da taxa de câmbio, que se estabilizaram em patamar inferior para o GLP”.
Ao Valor, Silva e Luna ponderou que o caminho para mitigar o aumento do combustível pode ser tomado com ações do Congresso e do governo, por exemplo. Lembrou que a política de subsídios foi praticada “por um período curto, bem definido, para fazer um amortecimento dessas pressões”. Mas o governo recusou-se a recorrer a esse mecanismo mais uma vez.
Silva e Luna esclareceu que um dos impeditivos para a Petrobras rever a política de preços é o alto índice de importação de combustível: “a razão é conhecida, importamos 30% do combustível. Pagar o preço mais caro e vender mais barato vai gerar desabastecimento mesmo”, frisou.
O general da reserva argumenta que a empresa está fazendo o possível para evitar aumentos. Antes de anunciar o reajuste de 18,8% para a gasolina e de 24,9% para o diesel no dia 10 de março, como resultado da alta do petróleo internacional, a empresa manteve o preço represado por 57 dias. “O que a empresa está fazendo? Produzir o máximo que ela pode produzir em 25 anos. Todas refinarias bateram seus recordes acima de 92% de produtividade para fazer o máximo com nosso combustível”, pontuou.
Silva e Luna também elogiou as escolhas do governo para a nova direção da empresa. Sobre o ex-secretário de Minas e Energia José Mauro Coelho, que vai substituí-lo no comando da estatal, Silva e Luna classificou como “grande acerto”.
Disse que Coelho “vai somar muito” porque tem “grande conhecimento na área de óleo e gás, é pessoa de fácil trato, vai se encaixar bem”.
Silva e Luna ainda considerou a indicação do atual conselheiro Márcio Weber para a presidência do conselho de administração como “excepcional”. “Ele foi funcionário da Petrobras, é muito respeitado, vai continuar com o trabalho que estava fazendo, vai somar muito”, avaliou.
O presidente da estatal observou que a futura administração vai enfrentar os mesmos desafios que ele encarou quando assumiu o cargo, há cerca de um ano.
Para o general da reserva, não há outro caminho possível senão continuar investindo no pré-sal, que responde por 71% da exploração e produção do óleo da companhia. “É uma área de grande produtividade, com baixo teor de enxofre”, salientou. Além disso, disse que é preciso investir nas refinarias, que estão produzindo óleo com baixo carbono, e “continuar olhando para a transição energética”.
Fonte: Valor Online
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