Os Estados Unidos devem se tornar, em 2023, os maiores exportadores de GNL do mundo, em meio à valorização da commodity no mercado internacional – cuja demanda ainda se mantém pressionada pela preocupação com a segurança energética, um ano após o início da Guerra da Ucrânia.
A Wood Mackenzie estima que o aquecimento da demanda global abre caminho, potencialmente, para investimentos de US$ 100 bilhões no desenvolvimento de novos projetos, nos próximos cinco anos. para apoiar o crescimento do mercado no longo prazo.
Os EUA são a principal fonte de importação do GNL consumido no Brasil. E foi, sobretudo o gás estadunidense, que, em 2022, ajudou a Europa a preencher parte da lacuna deixada pelos cortes de importação do gás russo. Em 2022, os EUA foram o terceiro maior exportador de GNL do mundo, atrás do Catar e Austrália, segundo a consultoria. Havia uma expectativa, inicialmente, de que os Estados Unidos se tornassem líderes em exportações globais no ano passado, mas a explosão da planta Freeport LNG, na costa do Golfo do Texas, adiou os planos.
Com a retomada da operação de Freeport, os EUA elevarão em 16,5% as exportações de GNL, para 89 milhões de toneladas métricas por ano (mmtpa), segundo a Wood Mackenzie.
A consultoria estima que, com base na combinação de projetos já em construção e novos projetos potenciais, a capacidade de GNL dos EUA possa crescer entre 70 mmtpa e 190 mmtpa antes do fim da década – ou seja, mais que o dobro das exportações atuais. Somente em 2022, os acordos de longo prazo, assinados com fornecedores de GNL dos EUA, totalizaram 65 mmtpa – ante os 18,5 mmtpa de 2021.
Os riscos para o crescimento da capacidade
A Wood Mackenzie destaca, no entanto, que o aumento de custos será um desafio para os desenvolvedores de novos projetos, dado o aquecimento da demanda por bens e serviços, na cadeia de suprimento.
Segundo a consultoria, já é possível identificar uma inflação de mais de 20% na Costa do Golfo dos EUA, em comparação com projetos construídos nos últimos cinco anos.
Apesar do aumento dos custos, a concorrência por clientes tem mantido as taxas de liquefação baixas – potencialmente entre US$ 2 e US$ 2,5 por milhão de BTU para contratos de longo prazo com preço fixo.
“A combinação de taxas baixas e custos crescentes significa que estimamos taxas internas de retorno não alavancadas tão baixas quanto 5% a 6% para alguns projetos. Com base nesses retornos, alguns projetos estão encontrando dificuldades para garantir financiamento, principalmente por meio de aumentos de capital”, comentou o analista de pesquisa de gás e GNL da Wood Mackenzie, Sean Harrison, em relatório sobre o assunto.
Fonte: Epbr
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