Um ano após inaugurar uma rede de gasodutos em Gramado e Canela, Sulgás tem a projeção de aumentar em 10 vezes o número de clientes até o ano que vem. De 202 residências e empreendimentos que recebem o gás natural atualmente na Região das Hortênsias, a ligação dos dutos deve ser ampliada para mais de dois mil imóveis neste período.
De acordo com o diretor comercial da companhia, Silvio Del Boni, as novas conexões são de contratos já celebrados que terão o processo de instalação concluídos. Para proporcionar as ligações, a partir de uma rede com trajeto inicial em Igrejinha, o investimento foi de R$ 49 milhões, feito completamente pela companhia. Dos imóveis atendidos, há uma indústria produtora de biscoitos, estabelecimentos comerciais e hotéis. Como explica Del Boni, dos benefícios gerados pela adoção do gás natural como matriz energética, a sustentabilidade recebe destaque. O diretor usa como exemplo um hotel que realizou a conversão para ser abastecido pela fonte de energia. “Quando nós substituímos, por exemplo, em um hotel, ele tinha uma caldeira diesel dentro do seu complexo para fazer a geração térmica da água, a água de aquecimento da piscina, a água de aquecimento dos chuveiros. Com a substituição do gás natural, nós economizamos de enviar para a atmosfera 36 toneladas de CO2 (gás carbônico) por ano. Isso é bastante significativo, representa um ganho de sustentabilidade para a cidade. Estou falando só de um hotel. Agora, os demais que estão contratados conosco vão nessa mesma cadeia. Então, o aspecto sustentável é bastante significativo.
Outras vantagens estão na mobilidade e segurança, como detalha o diretor da Sulgás. Com a rede de gás, duas situações são evitadas: o transporte de botijões para abastecimento de estabelecimentos ou residências e o armazenamento deles. O modelo de distribuição também garante o abastecimento em situações atípicas, como o fechamento de estradas, por exemplo. “O gás natural, por ele ser entregue através de dutos, ele é um sistema dinâmico, fluido e dinâmico. Então, ele não necessita que se aguarde o término para substituição ou que se fique apreensivo quanto a estar acabando ou não”, detalha o diretor. Este aspecto, que Del Boni define como “segurança energética”, é, inclusive, uma das respostas positivas recebidas pela companhia.
A partir da rede da Região das Hortênsias, existem duas formas de conexão ao imóvel. Uma delas é a conversão que pode ser feita para aqueles que utilizavam o outro sistema. A outra, que já começa a ser vista, é a instalação já em novos imóveis. Um dos empreendimentos que decidiu contar com o abastecimento é o Residencial Astro Gramado, inaugurado em março deste ano. É o primeiro na cidade que foi construído com esta conexão. Como conta o gerente de engenharia Eduardo Vitor Borges, 38 anos, uma série de benefícios fez com que se optasse a adotar o gás natural. Borges atua na construtora PGR, responsável pelo residencial e por outros empreendimentos que escolheram o abastecimento da Sulgás. Do ponto de vista da construção e manutenção, o engenheiro detalha que já há ganhos. Borges compara que, por exemplo, com o GLP (o gás liquefeito de petróleo, o dos botijões), existia a necessidade de outros equipamentos para que a operação continuasse.
A manutenção disso, obviamente, gerava custos, bem como a construção de toda uma central para armazenamento. São situações que não são mais necessárias. “A gente ganha espaço porque não precisa fazer a central de GLP, promove segurança para o usuário porque não tem vasos sob pressão dentro do empreendimento, então, beneficia a segurança do imóvel porque não tem perigo de explosão que nem uma central de GLP. E os equipamentos de gás natural também tendem a durar mais porque tem uma menor manutenção. A queima do gás é mais eficiente, então gera menos resíduo”, elenca Borges. A queima mais eficiente, segundo Borges, mostra melhorias ainda nos aquecedores de água do residencial, dando um “banho mais confortável”, e nos fogões, em que nota que reduz as reclamações das manchas em panelas por conta da chama. Apesar da economia, Borges relata que o que fez o empreendimento optar pelo gás natural “é a praticidade para a operação”. O engenheiro comenta ainda que o grande fluxo no trânsito de Gramado faz com que o transporte do GLP, geralmente por caminhões, seja feita em horários flexíveis, como de noite ou início da manhã. Geralmente, ele seria feito em horário comercial, o que também traz desafios. O engenheiro atesta também o ganho na mobilidade urbana.
“Em Gramado tem pouco estacionamento. Isso é histórico, que tem pouca quantidade de vagas. Então, por condomínio, sempre tem que ficar reservando vaga, às vezes tem que ficar pedindo autorização para poder estacionar o caminhão. Daí o abastecimento de GLP tem que atravessar mangueiras enquanto os pedestres estão caminhando. É um transtorno”. E o principal, como destaca o gerente de engenharia, é que não existe o temor da falta de abastecimento.
A Sulgás também está presente em Caxias do Sul. No momento, são mais de dois mil clientes no maior município da Serra. No Estado, conforme Del Boni, a presença é em 38 cidades. O plano é ampliar para 44 localidades até 2030.
Fonte: Pioneiro (RS)
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