Nesta segunda (04), a BP anunciou ter descoberto um reservatório gigante de gás e petróleo na costa do Brasil, a sua maior descoberta nos últimos 25 anos. “Estamos muito satisfeitos em anunciar esta descoberta significativa, a maior realizada pela BP em 25 anos”, declarou Gordon Birrell, vice-presidente executivo da BP. O Campo de Bumerangue, onde foi feita a descoberta, está localizado na Bacia de Santos, a 404 quilômetros do Rio de Janeiro, e se estende por mais de 300 quilômetros quadrados. O ativo foi adquirido isoladamente pela BP no leilão da ANP, em 2022, mas, como está submetido ao regime de partilha, tem a União como sócia. “Os resultados da análise no local da perfuração indicam níveis elevados de dióxido de carbono”, acrescentou a empresa, que agora iniciará uma análise em laboratório para analisá-lo. Não foi anunciado qualquer outro dado sobre o potencial do reservatório.
Para Edmar Almeida, professor e pesquisador do Instituto de Energia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), se a BP comprovar que a descoberta feita no campo Bumerangue é realmente significativa, poderá ser um “game changer” (divisor de águas) para a petroleira, “que andava meio nas cordas por causa dos rumores de compra pela Shell”. O especialista, porém, diz que é cedo para saber o impacto que a descoberta poderá ter na BP, apesar de ter observado certo otimismo na divulgação da companhia. A única informação que a petroleira divulgou, observou Edmar, foi que o reservatório descoberto “é grande e tem óleo, gás e CO2’. Segundo ele, para se dimensionar corretamente a importância da descoberta, seria necessário divulgar dados sobre a vazão do poço e a composição dos hidrocarbonetos. Há outros exemplos de campos gigantes no Brasil que não se mostraram viáveis. “Este foi o caso de Júpiter”, explicou, referindo-se a um campo no pré-sal da Bacia de Santos que, apesar de apontar para excelente produtividade, esbarrou em entraves técnicos para ser explorado. Na época, a Petrobras, que detém 80% de Júpiter em parceria com a Petrogal, dona dos 20% restantes, informou que o campo necessitava de inovações tecnológicas para alcançar produção comercial, por conta da elevada presença de CO2.
“Um ponto importante é que é um bloco que só tem a BP. Então, para a empresa, se for um campo gigante, tipo Lula (Tupi), pode ser um ‘game changer’”, avaliou Almeida. O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, diz que o anúncio da BP faz o Brasil se destacar na oferta global de petróleo e também posiciona melhor a petroleira britânica para uma eventual negociação de venda. Apesar da negativa da Shell, o mercado financeiro tem especulado que a empresa estaria interessada em comprar a BP. “Em primeiro lugar mostra a importância do Brasil no crescimento da oferta global, e que mesmo numa bacia bastante explorada, como a do pré-sal, você ainda tem estes prospectos, isso é muito interessante, destaca globalmente o Brasil”, disse. Arbetman explicou que, a depender do tamanho da descoberta, o achado poderá elevar o preço da BP no mercado e também mostrar que o petróleo ainda é o caminho para a companhia. “Se o óleo for muito bom, comerciável, pode significar a sobrevida para a BP também”, disse. “Pode mostrar para eles (BP) que o caminho ainda é petróleo”. Uma das maiores petroleiras do mundo, a BP diversificou suas operações nos últimos anos para energias renováveis. No Brasil, após uma parceria com a Bunge Bioenergia em 2019, adquiriu 100% da joint venture em 2024 e passou a operar como BP Bioenergy.
Fonte: Estadão.com
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