O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, assinou nesta terça (02), o decreto que institui o programa Bio SP, com regras para aquisição de biometano e sua incorporação progressiva à frota de transporte público e de veículos de coleta da cidade. Segundo a prefeitura, o decreto é um passo decisivo para a substituição de ônibus e caminhões a diesel por modelos movidos a combustíveis renováveis e menos poluentes. “É fundamental avançar na substituição dos ônibus e caminhões a diesel por veículos movidos a energia limpa, seja biometano ou eletricidade”, disse Nunes durante a assinatura do decreto. De acordo com o Programa de Metas de 2025 a 2028, a capital paulista deve substituir 2,2 mil ônibus movidos a diesel por alternativas mais limpas. É uma revisão para baixo da ambição anterior, que previa a substituição de 20% da frota. No final de julho, durante a entrega de 120 novos ônibus elétricos para o transporte público da cidade, Nunes anunciou que preparava uma chamada pública para o biometano.
Crise com a Enel
Em meio a uma crise com a Enel, a prefeitura tem indicado que os ônibus a gás renovável são uma alternativa para acelerar a transição da frota, sem depender exclusivamente da eletrificação. “Temos um problema muito sério, que não tivemos a sorte de uma empresa que fornece a energia para nós, que é a Enel, que pudesse dar a infraestrutura necessária para as garagens abastecerem seus ônibus”, criticou o prefeito. É também uma forma de aproveitar o potencial de biometano de resíduos urbanos da cidade, e do setor sucroenergético do estado. “Aí a gente vem com essa alternativa de uso do gás. Os estudos da SPTrans têm mostrado a viabilidade e as conversas e negociações com a indústria e o setor de produção [também]”, completou Nunes. Atualmente, o combustível utilizado nos 125 caminhões da coleta é produzido nos próprios aterros municipais. A meta é de que mais de 600 caminhões da frota de coleta ainda movidos a diesel sejam substituídos até 2027. “Mas será necessário ampliarmos a aquisição junto ao setor privado para abastecer a frota municipal”, disse Nunes. A ABiogás estima que apenas os resíduos produzidos na cidade de São Paulo poderiam substituir 50% do diesel consumido pelo transporte público municipal.
Fonte: Eixos
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