Responsável pelo transporte de metade do gás natural produzido no País, a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) iniciou estudos para um projeto de R$ 7 bilhões em investimento para duplicar o gasoduto que transporta gás natural do Rio de Janeiro para São Paulo. “Vamos desenvolver o projeto da fase 2 para submeter aos órgãos reguladores. Vamos conversar muito com a ANP para mostrar que são projetos de capital intensivo. Reconhecemos que (a regulação) evoluiu, mas, para uma situação de maior calibre, a regulação tem que evoluir mais”, diz Erick Portela, presidente da NTS.
A primeira fase, anunciada na semana passada – da construção de uma estação de compressão em Japeri e outra de recebimento do gás do Projeto Raia, em Macaé, no Rio de Janeiro, projetos que somam cerca de R$ 900 milhões –, foi viabilizada por uma regulação há muito esperada pela empresa e publicada pela ANP no final do ano passado. Com a publicação da taxa de retorno para os empreendimentos de transporte de gás natural, o conselho de administração da NTS pôde dar o sinal verde ao início das obras da fase 1. “Passamos um bom tempo para que a ANP trabalhasse as condições remuneradoras e, finalmente, no dia 29 de dezembro, a regulamentação saiu. Ver essa evolução foi muito bacana”, ressaltou o executivo.
O projeto, que começou a ser planejado em 2022, visa atender à crescente demanda por gás natural e garantir a segurança energética do Brasil, disse ele. A empresa pretende expandir sua capacidade de transporte para acomodar novas fontes de gás, como o do pré-sal, depois do declínio de fontes como a Bolívia e a Bacia de Campos. De acordo com Portela, o projeto de duplicação do gasoduto é parte de um esforço maior para reestruturar o mercado de gás natural no Brasil, processo que começou com a Lei do Gás, em 2021, que promoveu a separação entre produção e transporte, permitindo maior competição e eficiência no setor. A NTS, que já investiu quase R$ 2 bilhões em manutenção contínua de seus dutos, está agora focada em garantir que o Brasil se torne independente em termos de gás natural nacional, sem desconsiderar a importância do gás importado, mas como complemento.
Portela lembrou que, no passado, o Brasil trabalhava bem com o Gás Natural Liquefeito (GNL) importado porque tinha definido os períodos seco e úmido das hidrelétricas, sem a participação das energias renováveis. Com o boom das fontes renováveis nos últimos anos, o cenário mudou e o acionamento das térmicas passou a ser por horário, o que dificulta o planejamento para os navios de transporte do GNL. “A questão da intermitência das renováveis é o novo normal há seis anos. Não há mais inverno e verão clássicos, é despacho horário. O NOS quer que uma térmica despache em uma hora e meia e funcione durante uma hora. O que vão fazer com os navios de GNL?”. Segundo ele, várias térmicas já procuraram a NTS para garantir suprimento para o próximo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), em março. As termoelétricas conectadas a gasodutos, diz, terão mais vantagens que as chamadas “termoelétricas ilhas”, que dependem do GNL.
Fonte: O Estado de SPaulo
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