Para o gerente geral de Comercialização de Gás e Energia da Petrobras, João Marcello Barreto, a demanda do setor elétrico hoje é insuficiente para sustentar nova oferta firme de gás natural no Brasil. De acordo com Barreto, há um movimento de ampliação da oferta nacional de gás e é necessária uma demanda firme para essa oferta. “Nenhum investidor vai tomar a decisão para chegar com a oferta e não ter a demanda, e nenhum investidor vai chegar para colocar a demanda sem oferta”, disse. Apesar de ressaltar que a demanda não será suficiente, Barreto reconheceu que o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) vai ser importante, sobretudo como um primeiro marco da integração entre os setores de gás e energia elétrica. “Não ter o leilão é um problema para o crescimento e desenvolvimento para o país, então a gente espera que ocorra e estamos disponíveis para participar. Mas essa demanda do LRCAP não desenvolve a oferta nacional de gás firme”, afirmou Barreto. O LRCAP está previsto para março e terá dois certames. O primeiro, marcado para 18 de março, é para ampliação de usinas hidrelétricas e termelétricas existentes a gás natural e carvão mineral, além de usinas novas a gás. A Petrobras vai participar do leilão não apenas como operadora de termelétricas, mas também como fornecedora de gás.
Infraestrutura
O executivo também reconheceu que o Brasil precisa de “aprimoramentos” no escoamento e processamento de gás natural. Segundo ele, há múltiplos interesses envolvidos no tema do escoamento, mas a Petrobras está evoluindo em conversas com a EPE e com os produtores. Ele defendeu, no entanto, que as discussões sobre custos precisam envolver todos os elos da cadeia. “A questão da distribuição no Brasil tem andado num caminho contrário, em todas as revisões tarifárias estaduais tem subido o custo de distribuição. E quando a gente fala de competitividade do gás para a sociedade, para o mercado como um todo, a gente vai ter que falar de todos os elos”, afirmou o gerente.
Fonte: Eixos
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