A Abrace Energia defendeu, em seminário realizado no Rio de Janeiro, o Gas Release, programa de desconcentração da oferta de gás natural. O diretor-presidente da instituição, Paulo Pedrosa, defendeu, também, a realização de leilões de longo prazo como forma de dinamizar a economia. “Para termos um mercado competitivo, precisamos, na opinião da Abrace, de um mecanismo como o Gas Release. Precisamos de diversidade, mas sem intervenção, inclusive em relação ao preço”, disse Pedrosa. Segundo ele, a entidade propõe a realização de leilões de longo prazo que poderiam direcionar o gás para novos grandes consumidores industriais. Pedrosa afirmou ainda que a solução para o setor de gás não está no aumento da produção de gás, fazendo um contraponto à apresentação da diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, cuja apresentação antecedeu a sua no 1º Workshop do Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural (Gas Release), organizado pela ANP e pela FGV. Pedrosa destacou que, apesar de o mercado livre estar em funcionamento e existir dinamismo no setor, o mercado é “medíocre”. “Estamos em um equilíbrio, mas um equilíbrio ineficiente. Pode até ser bom para quem está no setor, mas precisamos passar por um desconforto e levar o setor de gás para outro patamar, sob pena de termos o futuro do gás ameaçado”, disse ele. Segundo Pedrosa, há ineficiências acumuladas em todos os elos da cadeia do gás, que confrontam o que já foi decidido na Lei do Gás. O executivo acrescentou que há “anticorpos” trabalhando para evitar a transição do quadro atual do setor para um modelo mais competitivo.
Pedrosa acrescentou que a Lei do Gás preconiza um grande mercado nacional competitivo. “Mas anticorpos trabalham para transformar esse modelo em mercados locais, verticalizados oferecendo uma vantagem para o consumidor que é muitas vezes não pagar o custo do transporte”. Diante da situação, acrescentou, há indústrias migrando para a biomassa ou fechando. Para Pedrosa, o consumo de gás está em queda porque o insumo não é competitivo. A expectativa, segundo ele, é que o custo da infraestrutura cresça, elevando o valor da tarifa e alimentando o ciclo de ineficiência. “Para ter demanda, é preciso ter preço, de forma que o gás caiba no preço dos produtos produzidos”, afirmou. Pedrosa destacou que é preciso ter coragem para enfrentar essa situação. Ele defendeu uma reflexão em que se defina o modelo para o país. “Ou temos uma grande empresa nacional dona do mercado, conduzida pela União, fomentando políticas públicas com um drive de eficiência. Ou temos, como afirma a Lei do Gás, um mercado competitivo”, comparou.
Fonte: EnergiaHoje
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