O Programa Gás do Povo já está em vigor em todos os 5.570 municípios brasileiros, incluindo localidades sem revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP), onde a entrega é feita por roteirização de revendedores de cidades vizinhas, segundo o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello. “Semana passada completamos o último município em Mato Grosso, Rondolândia, que não tem revenda de gás, com [atendimento a] 21 famílias. As distribuidoras do Sindigás conseguiram roteirizar um revendedor do município vizinho em conjunto com o município que seria atendido para que os beneficiários possam trocar seu voucher”, afirmou. Segundo Bandeira de Mello, a capilaridade do programa é um feito notável. Em pouco mais de três meses desde a ampliação para todo o país — em 23 de março —, 45% das revendas já aderiram ao sistema. Para efeito de comparação, o Farmácia Popular, com 22 anos, cobre 82% dos municípios. “É avassalador, não é uma coisa que só a gente se orgulha, nós nos surpreendemos”, disse.
Combate à pobreza energética
O presidente do Sindigás avaliou que, embora a operação funcione “de forma espetacular” — com pagamento aos revendedores em até 48 horas pela Caixa Econômica Federal —, ainda faltam dados consolidados sobre o impacto do programa na redução do consumo de lenha, que ainda representa 23% da matriz energética residencial brasileira. “A gente ainda tem que julgar como é que vai ser a métrica de resultado em termos de combate à pobreza energética. O maior resultado que a gente pode ter é redução de consumo de lenha”, afirmou. Em ano eleitoral, Bandeira de Mello disse acreditar que o programa continuará em 2027, ainda que com eventuais ajustes no formato ou no valor do voucher. “Eu acho que esse passo para trás a gente não dá mais. Mudanças sempre vão ser bem-vindas e sempre vão ser desafiantes”, pontuou. A avaliação é que a lógica de subsídio “focalizado para quem precisa e que faça com destinação específica”, em vez de redução generalizada de impostos, tornou o programa mais eficiente e de difícil reversão.
Subvenção ainda não chegou ao setor
Sobre a subvenção ao GLP anunciada pelo governo, Bandeira de Mello afirmou que o setor ainda não sentiu seus efeitos. “Não sentimos ainda o efeito da subvenção. A Petrobras praticava preços alinhados ao mercado via leilões e deixou de fazê-los. Mas não tenho informação de que a subvenção tenha sido paga até agora”, disse. O presidente do Sindigás também manifestou a expectativa de que os leilões de GLP promovidos pela Petrobras — que chegaram a ter ágios superiores ao dobro do preço de lista — não retornem. “Espero sinceramente que não retornem. Do ponto de vista de sinais de mercado, o leilão é muito negativo. A gente acredita que a Petrobras precisa voltar a fazer preços de lista compatíveis com o mercado, flutuando de acordo com as condições”, defendeu.
Fonte: Eixos
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