A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de fixar em 0,5% a meta de redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mercado de gás natural para o primeiro ano do mandato do biometano foi conservadora, na visão do presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren), Yuri Schmitke, que afirmou que o setor já tem capacidade para atender 1%. “O potencial já é 1%, os cálculos estão mostrando que é até mais de 1%. Foi uma decisão muito conservadora do CNPE, esse 0,5%. A gente espera que ainda esse ano haja uma retificação para 1%”. O presidente da Abren defendeu também a diferenciação de matérias-primas na contabilidade de carbono do biometano, com pesos distintos para cada tipo de resíduo. Ele alega que a biodigestão anaeróbica tem potencial de descarbonização mais intenso — com emissões negativas que podem chegar a menos 1.500 gramas de CO₂ equivalente — do que a extração de gás de aterro sanitário. Por isso, a associação defende que o certificado de origem do biometano (CGOB) reflita essa diferença e que a métrica seja utilizada de forma voluntária, com lastro internacional. “É importante que o certificado tenha lastro internacional e que seja justo com os produtores e importadores de gás natural. Se eles compram certificado de origem de biodigestão, precisam bater mais a meta”, afirmou.
Agroindústria impulsiona o setor
Schmitke citou o projeto da associada Abren H2A Bioenergia, em Campos Novos (SC), que utiliza esterco suíno e resíduos da agroindústria para produzir biometano segundo os padrões da ANP — a primeira planta do Brasil com esse processo. A unidade também gera CO₂ biogênico padrão alimentício, usado na gaseificação de bebidas. “O Brasil está preparado para receber tecnologias de ponta e investimentos estrangeiros. A Abren tem trabalhado para conseguir isso”, disse, mencionando parceria com a European Biogas Association.
O presidente da Abren também abordou a recuperação energética de resíduos sólidos urbanos (waste-to-energy), destacando que há mais de 3 mil unidades em operação no mundo — 1.100 na China e 500 na Europa. No Brasil, cinco usinas já estão contratadas, sendo a primeira, em Barueri (SP), com entrada em operação prevista para o próximo ano. “Recuperação energética faz descarbonização de 6 a 8 vezes mais do que outras soluções. Evita emissões de metano e também problemas de saúde pública”, afirmou. Schmitke defendeu ainda que o Rio de Janeiro tem potencial para duas grandes usinas, aproveitando o aterro de 10 mil toneladas por dia. “Sendo a usina grande, de 5 mil toneladas por dia, a gente consegue reduzir o capex em 30% a 40% e o opex em até 4 vezes”, disse.
Fonte: Eixos
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