A Eneva recebeu com cautela e receio a nova resolução da ANP que regulamenta o acesso de terceiros a terminais de gás natural liquefeito (GNL), indicou o diretor de Relações Externas da empresa, Aurélio Amaral. Para ele, a medida, embora debatida, pode trazer insegurança jurídica para investimentos já estruturados, especialmente em terminais integrados a usinas termelétricas. “A resolução vem para regular um problema que, no nosso entendimento, já deixou de existir”, afirmou, ao citar a crescente concorrência entre terminais no Brasil. “A AIR foca muito em abertura de concorrência entre terminais. Hoje já temos sete terminais de cinco empresas diferentes, e vamos colocar mais dois em produção”, acrescentou. Segundo ele, a resolução é “muito desafiadora para ser aplicada para terminais com térmicas integradas” como os da Eneva, pois a capacidade disponível está atrelada ao despacho do ONS, que é incerto. “Temos toda a nossa capacidade vinculada ao despacho termoelétrico e sujeita às incertezas do momento do despacho, da aquisição da carga, da atracação”, explicou. O diretor também manifestou preocupação em relação à obrigatoriedade de conexão dos novos terminais à malha de gasodutos, prevista na resolução. “Nenhum empreendimento que foi feito, que participou do leilão de reserva de capacidade de 2026, previu a resolução, porque a resolução saiu depois. Isso traz bastante incerteza e muita insegurança jurídica”, afirmou.
Amaral destacou que a empresa tem dialogado com a ANP para apresentar as dificuldades operacionais e técnicas, mas ponderou que ainda há incertezas sobre como os temas serão endereçados no código de conduta previsto na resolução. “A ANP precisa falar um pouco mais, esclarecer um pouco mais, para dar conforto e segurança para o investidor, para que ele não conviva com essa incerteza lá na frente de ter o seu empreendimento onde fez um investimento vultoso e perder esse investimento”, concluiu. Em contrapartida, a diretora da ANP, Symone Araújo, afirmou em entrevista à eixos que não há espaço para revisão da resolução, classificando o processo como amplamente debatido e a decisão como “muito bem calibrada”. A diretora defende que a Resolução 1003 tem como base um longo histórico de discussões na agência, que já havia tratado do tema em normas anteriores para terminais aquaviários, o que, na visão dela, torna a medida previsível e madura. Segundo Araujo a norma será complementada por um código de conduta e “a poeira vai baixar”.
Fonte: Eixos
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