A Fitch Ratings afirmou os ratings nacionais de longo prazo ‘AAA (bra)’, nota máxima e segura para investidores, da Comgás e de suas debêntures seniores sem garantias. A perspectiva do rating corporativo é estável.
A Comgás é a maior distribuidora de gás natural do Brasil e se beneficia de posição de monopólio cm parte do Estado de São Paulo — o mais importante economicamente do país —, o que fortalece o seu perfil de negócios. A concessão vence em 2049. A companhia está cm 96 municípios de SP c atende aproximadamente 2,9 milhões de consumidores. A companhia é controlada indiretamente pela Cosan.
Segundo a Fitch, a empresa apresenta uma base de clientes mais diversificada do que a dos pares, com maior participação de consumidores residenciais c comerciais, mais rentáveis c menos voláteis durante retrações econômicas.
Os consumidores residenciais representam cerca de 30% das receitas e 40% do resultado operacional, enquanto os comerciais respondem por aproximadamente 10% c 15%, respectivamente. A agência de classificação de risco de credito disse que os ratings refletem a posição monopolista da empresa na sua área de concessão, o limitado risco de fornecimento de gás, o marco regulatório estável e sua ampla base de clientes.
A Comgás apresenta, historicamente, forte geração de caixa operacional, mas o fluxo de caixa livre (FCF) projetado pela Fitch será negativo nos próximos anos, devido à elevada distribuição de dividendos aos acionistas. A agência espera que a alavancagem bruta permaneça em torno de 3,3 vezes nos próximos anos. A expectativa de repasse, aos consumidores, do recente aumento no custo do gás deve moderar a demanda ao longo de 2026.
A Comgás eleve manter margem de Ebitda ajustada acima da média de seus pares brasileiros. O cenário-base do rating contempla ligeiro crescimento do Ebitda, para RS 3,8 bilhões em 2026 e R$ 4,0 bilhões em 2027, considerando aumentos tarifários, eficiências operacionais, expansão da base de clientes e ligeiro aumento do volume distribuído. A margem de Ebitda ajustada, que exclui os custos com aquisição de gás da receita líquida, é projetada em 87% no período.
A Fitch estima que a Comgás apresentará fluxo de caixa das operações (CFO) anual de RS 2,1 bilhões a RS 2,4 bilhões entre 2026 e 2028, suficiente para sustentar investimentos de R$1,8 bilhão na média anual. O FCF deve permanecer negativo em cerca de RS 1,0 bilhão por ano, em média, devido ao pagamento agressivo de dividendos. De acordo com a Fitch, a migração de alguns dos principais consumidores da Comgás para o mercado livre tem impacto limitado no perfil de negócios da companhia. A Comgás segue recebendo a tarifa do serviço de distribuição desses clientes, apesar da margem de contribuição cerca de 10% menor. Esta diferença é reequilibrada na tarifa, de acordo com o contrato de concessão.
Fonte: Monitor Mercantil
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