O potencial de produção de fertilizantes a partir do uso do digestato (subproduto da indústria de biogás) foi negligenciado historicamente e poderia ser melhor discutido na regulamentação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), afirmou o CEO da Bley Energias, Cícero Bley, que destaca que a Europa saiu na frente ao reconhecer, no Programa Europeu de Fertilizantes 2050, que os fertilizantes originados das cadeias do biogás, da digestão anaeróbica, são parte da estratégia para enfrentar a escassez de fertilizantes originada dos conflitos geopolíticos. No Brasil, por outro lado, a discussão ainda é incipiente. “[O projeto de lei] não abrange isso que nós estamos falando, ele não toca no coração desse processo. Talvez deixar passar, aprovar esse projeto de lei assim como está e, em seguida, na hora da normatização, ocupar espaço com esse processo”, complementou. O Profert foi aprovado pelo Senado Federal na noite da terça-feira (11). Ele destaca que o Brasil importa 80% dos fertilizantes, mas poderia recuperar nutrientes do digestato e fechar a economia circular. Bley explica que o processo de biodigestão produz dois grandes complexos: o gasoso, onde está o biogás; e o digestato, onde estão os fertilizantes: nitrogênio, fósforo, potássio etc. Mas que, num “defeito de origem” da indústria de biogás no Brasil, esse subproduto foi desperdiçado.
Fonte: Eixos
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