A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) quer que usinas a biogás instaladas em aterros possam participar de novos leilões voltados aos sistemas de armazenamento de energia. “Nós queremos participar também”, disse o presidente da entidade, Pedro Maranhão. Ele defende que os empreendimentos sejam reconhecidos como “baterias verdes”, por gerarem energia quando necessário e reduzirem as emissões de metano associadas aos resíduos. “Discutimos muito com o Ministério de Minas e Energia o leilão de baterias, porque os nossos aterros são as baterias. Nossa bateria produz energia 24 horas por dia, não precisa de sol, de chuva. Precisa de lixo, e lixo não vai faltar”, contou Maranhão.
O primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de baterias, previsto para dezembro, é destinado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia (BESS). Já o Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência, realizado em março de 2026, contratou térmicas majoritariamente movidas a gás natural (80%), além de fontes como carvão mineral, diesel, óleo combustível, biodiesel e biometano. Segundo Maranhão, a geração a biogás de resíduos poderia ser acionada nos momentos de necessidade do sistema elétrico, cumprindo uma função semelhante à das baterias. A associação também defende a diversificação da matriz elétrica, ainda que a geração de energia a partir de resíduos tenha custos superiores aos de outras fontes. “Para o governo, diversificar sua matriz energética é estratégico. Você tem que diversificar, mesmo ela sendo mais cara, para que no momento de crise, exista tem uma alternativa local para poder suprir a necessidade”.
Meta de 1% de biometano
Outra prioridade da Abrema é elevar para 1% em 2027 o percentual de descarbonização do gás natural com utilização de biometano, nas metas definidas pelo CNPE para cumprir a lei do Combustível do Futuro. A entidade afirma que a produção disponível já permite atender à meta, que começou com 0,5% este ano. “Já temos como garantir 1%. Vamos demonstrar por A mais B”, disse Maranhão. A associação também cobra do governo uma trajetória previsível para os percentuais dos próximos anos. Segundo Maranhão, a definição antecipada das metas é necessária para sustentar as decisões de investimento. “Um investimento dessa demanda muito dinheiro e isso demando tempo para planejar. É preciso saber se no próximo ano é 0,5% ou 1%, e quando será 2%”. O setor de resíduos prevê investir R$ 10 bilhões na expansão da produção de biometano nos próximos quatro anos. A Abrema também pediu ao governo a criação de um grupo de trabalho no CNPE dedicado à valorização dos resíduos. A entidade quer participar da formulação das políticas para biocombustíveis e das discussões sobre os percentuais obrigatórios de biometano.
Críticas ao PPI e ao Integra Resíduos
Maranhão criticou a modelagem de projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal e do Integra Resíduos, lançado pelo governo de São Paulo. Na avaliação da Abrema, os programas estão direcionando esforços para municípios e regiões que já contam com aterros, em vez de priorizarem localidades onde os resíduos ainda são destinados a lixões. “Não concordamos com a forma de modelagem que eles querem fazer”, comentou sobre o programa paulista. Maranhão também reclamou da falta de diálogo com as empresas que operam os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos. “Quem administra o resíduo somos nós. Estamos ali na ponta. Então não custa nada você discutir com o governo e pegar experiência. ‘O que é que nós estamos fazendo? Como é que faz? Quais são os problemas?’. Os gestores estão numa sala trancada, desenham um modelo bonito, mas na prática é diferente”. No caso do PPI, o presidente da associação citou projetos no sul da Bahia em cidades que, segundo ele, já dispõem de aterros licenciados. A prioridade dos recursos públicos, defendeu, deveria ser a eliminação dos lixões. “Nós temos 3 mil lixões. Não tem sentido políticas públicas fazer onde já tem. Vamos fazer onde não tem”, defendeu. “Para mim, prioritário é encerrar lixão no nosso país. Esse é prioritário. Aí vem o aproveitamento, a reciclagem e a questão dos catadores, das cooperativas’.
Fonte: Eixos
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