Com o rompimento de um contrato de fornecimento de gás natural para a Vale, no primeiro semestre deste ano, a Eneva deverá atrasar o projeto de instalação de um quarto trem de liquefação de gás natural em sua planta de GNL no Complexo Parnaíba, localizado em Santo Antônio dos Lopes (MA). De acordo com o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe, o rompimento não era esperado, mas está sendo administrado, considerando-se um pipeline de negócios que a empresa vem buscando fechar na região. A Vale suspendeu, no primeiro semestre, as atividades de uma usina de pelotização no Maranhão. Com isso, foi interrompido um contrato de fornecimento de GNL da Eneva à Vale de 250 mil metros cúbicos por dia para a unidade da mineradora. Vale e Eneva chegaram a um acordo amigável, pelo qual a mineradora pagou R$ 340 milhões como compensação à companhia de energia. O montante desembolsado pela Vale representa 20 meses de receita da contratação, disse Habibe. O dinheiro garantiu não só a recuperação do capital investido, como também deu à empresa tempo necessário para desenvolver de forma estruturada a comercialização desse volume disponível, acrescentou o executivo. “Com essa saída do contrato da Vale e com a proximidade da entrada de um terceiro trem de liquefação em meados do ano que vem, vamos intensificar as discussões com os clientes com os quais estávamos mais próximos de ter alguma convergência”, disse Habibe.
O terceiro trem da planta do Complexo Parnaíba deverá disponibilizar ao mercado outros 300 mil metros cúbicos de GNL por dia. A previsão é de que sua operação comercial terá início no segundo semestre de 2027. “Acreditamos que poderemos ter um mix entre alguns clientes industriais e da área de transporte rodoviário, para o qual deveremos conseguir alocar o volume que deixou de ser comercializado para Vale em horizonte de tempo razoável”, afirmou Marcelo Habibe. A empresa aposta no transporte rodoviário. Habibe informou que os primeiros postos de abastecimento da VirtuGNL, empresa de logística com a qual a Eneva mantém contrato, estão em funcionamento. No ano passado, as duas empresas ampliaram a parceria, elevando o suprimento de GNL de 35 mil para 150 mil Nmetros cúbicos por dia, para formar um corredor verde de transporte pesado que atenderá a região do Matopiba (o enclave de produção agropecuária formado pela confluência dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia).
Fonte: EnergiaHoje
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