A Gasmig estuda levar ao Sul e ao Norte de Minas Gerais o modelo de redes isoladas abastecidas por biometano que está sendo desenvolvido para o Triângulo Mineiro. A estratégia busca antecipar a chegada do gás a mercados que dependeriam da construção de grandes gasodutos para serem conectados à malha existente. “A gente vai começar a antecipar mercados que não tinham previsão de atendimento breve, com o biometano. […] Já estamos vislumbrando o sul de Minas, o Norte de Minas, já estamos com vários outros projetos”, afirmou o presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi. O Triângulo Mineiro é o principal exemplo da nova estratégia. Segundo Marchi, há mais de 30 anos existem discussões para levar um gasoduto à região, sem que o projeto tenha saído do papel. A Gasmig decidiu então avançar com redes locais que poderão ser abastecidas inicialmente pela produção regional de biometano. “É impensável achar que vai conectar todo o estado de uma hora para outra. Já avançamos mais, nós temos hoje mais de 2 mil quilômetros de rede”, disse.
Para o executivo, uma das vantagens do Triângulo é a proximidade entre a produção potencial de biometano e grandes consumidores. O executivo citou empresas dos setores sucroenergético, de celulose, mineração e fertilizantes, além da CBMM, como exemplos de demanda na região. “Ali nós temos a produção, a oferta, e nós temos a demanda próxima”, afirmou o executivo. A lógica, segundo ele, é de “produção local, consumo local, gerando riqueza local”. O modelo permite que a Gasmig desenvolva inicialmente redes desconectadas do restante de sua malha. Posteriormente, essas estruturas poderão ser interligadas conforme avancem novos gasodutos. O movimento também acompanha o crescimento esperado do biometano no país. Dados da Gasmig apontam um potencial teórico brasileiro de 120 milhões de m³ por dia e uma projeção de produção de aproximadamente 35 milhões de m³/dia até 2030. A apresentação contabiliza ainda 1.803 plantas de biogás no país em 2025, alta de 3,8% no ano, com produção aproximada de 5 bilhões de Nm³ anuais. “O projeto do Triângulo foi tão bem-sucedido que já estamos estudando uma nova chamada pública para todo o estado de Minas Gerais”, disse De Marchi.
Reclassificação preocupa Gasmig
A expansão ocorre ao mesmo tempo em que a companhia acompanha a discussão federal sobre a classificação dos gasodutos entre transporte e distribuição. A Gasmig teme que critérios baseados predominantemente em características técnicas dos dutos retirem da esfera estadual ativos que hoje fazem parte da concessão de distribuição. Segundo De Marchi, 54% dos ativos da companhia poderiam ser enquadrados como transporte pela régua discutida inicialmente no processo de regulamentação. “Pelo porte do estado, pelas características dos nossos dutos, se a gente pegar a régua que foi lançada na primeira consulta pública, aquilo abarca 54% dos nossos ativos. Deixaria de ser distribuição, passaria a ser transporte”, afirmou o executivo. O presidente da Gasmig defende que a classificação considere principalmente a função exercida pelo ativo, e não apenas critérios como diâmetro e pressão. “Os atributos técnicos são instrumentos. Primeiro você olha a funcionalidade”, disse. Na avaliação da companhia, a questão ganha importância diante da dificuldade de levar infraestrutura de transporte a algumas regiões do estado. No caso do Triângulo, De Marchi afirmou que a dependência da construção de um grande gasoduto de transporte contribuiu para que a conexão da região não avançasse durante décadas.
Fonte: MegaWhat
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